UNIVERSIDADES – COMO ESTAMOS ATRASADOS!
Grande parte de minha vida profissional dediquei-me a defender as Universidades e a estimular líderes e autoridades para criar novas instituições deste gênero.
Estudei e trabalhei em uma delas, aprendendo e ensinando novos conhecimentos e sugerindo ideias a vários grupos de estudantes. Nestes últimos quarenta anos tenho escrito na defesa e na demonstração de apoio ao estabelecimento de uma Universidade na região sul da Bahia.
Um trabalho de catequese aos líderes do momento, convencendo autoridades governamentais e executivos da contribuição permanente e de forma efetiva, para o desenvolvimento sócio econômico e cultural da região e do Estado.
Nelas, prepara-se as gerações com novas técnicas e conhecimentos; estimula os jovens a pensar, a ler, pesquisar e buscar soluções para os problemas. A compreensão do presente aliada à visão do futuro predomina.
Ultrapassando momentos críticos e de carência de recursos financeiros, da incompreensão dos políticos e às vezes, algumas irreverencias dos alunos jovens e rebeldes, as Universidades vão enfrentando todos estes problemas. Em alguns momentos, os professores sofrem o desanimo e perdem o seu lado educador, pela falta de decisões governamentais dos problemas universitários.
A sociedade mais próxima da Universidade, se orgulha da sua existência, (mesmo sem saber o que é uma Universidade) representando o futuro para seus filhos. Mas, nada fazem para o seu desenvolvimento e defesa dos seus projetos educativos.
No entanto, as nossas Universidades, neste Brasil em crescimento e conturbado vão caminhando lentamente. Às vezes, pensamos que já temos um grande progresso cultural e educacional e que possuímos uma Universidade da melhor qualidade, aquela que almejamos. Triste pensamento!
Hoje, ao abrir o computador encontrei um relato da Avaliação Mundial das Universidades; trabalho confiável e considerado no mundo universitário e realizado pela Universidade JiaoTong da cidade de Xangai – China. Esta avaliação é realizada desde 2003 e tem repercussão em todo o cenário acadêmico internacional. Os critérios adotados para a classificação das Universidades, baseia-se no número de Prêmios Nobel, de Medalhas “Fieds” (equivalente a que o brasileiro ganhou este ano em Matemática), o número de artigos científicos publicados em revistas e em inglês. São relacionadas 1.200 Universidades de todo o universo e destas, seleciona-se as 500 melhores para uma classificação.
A predominância tem sido sempre as Universidades dos Estados Unidos. Nesse ano de 2014, das 10 melhores Universidades, as americanas ocupam oito lugares seguidas de duas inglesas; a líder em primeiro lugar está a Universidade de Harvard (EUA). Seguem as Universidades de Stanford, o Instituto Tecnológico de Massachusetts MIT, a Universidade da Califórnia – Berkeley. Em 5º lugar vem a Universidade de Cambridge – Reino Unido, seguida das Universidades de Princeton, do Instituto Tecnológico da Califórnia (Caltech), Universidade de Columbia, Universidade de Chicago e finalmente a inglesa Universidade de Oxford.
Na Europa ainda destacam-se as Universidades de ETH de Zurique no 19º lugar, a Universidade de Pierre e Marie Curie em Paris (35º lugar) e a Universidade de Copenhague em 39º lugar. Na Ásia destacam-se as Universidades de Tóquio no 21º lugar e a Universidade de Kioto, também no Japão em 26º lugar.
E na América do Sul, mais especificamente no BRASIL?
Já esperava o predomínio das Universidades dos Estados Unidos. Desde muitos anos que os governos americanos compreenderam que o desenvolvimento cientifico e tecnológico do país estava vinculado aos estudos e pesquisas realizados por Universidades dinâmicas, atualizadas, competentes e geradoras de novas ideias e conhecimento cientifico. Daí, o prestigio e apoio permanente, não só dos governos mas também, do empresariado industrial americano às Universidades.
E no Brasil? Apenas seis (6) Universidades estão no ranking das 500 melhores Universidades do mundo. A Universidade de São Paulo –USP aparece em 144º lugar; no ano passado era a 147º colocada. As outras cinco Universidades são: Universidade Federal de Minas Gerais na 317º posição, a Universidade Federal do Rio de Janeiro em 318º lugar, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) na 362º posição, a Unicamp –SP na 365º posição e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ocupando o 421º lugar. No restante da América somente quatro conseguiram estar no grupo das 500 melhores Universidades – duas no Chile, uma na Argentina e outra no México.
Será que um dia chegaremos a estar entre as 100 melhores? Difícil mas não impossível.
Apesar do Brasil possuir um grande potencial de recursos naturais e humanos, de possuir muitos problemas econômicos e sociais e carência de profissionais na maioria das áreas do conhecimento, não consegue superar a necessidade de profissionais competentes e de formação científica importantes à aceleração do desenvolvimento do país. Não existe sensibilidade dos dirigentes e uma visão futura para a exploração dos recursos existentes e da capacidade intelectual dos brasileiros.
Basta os governos sentirem e atuarem decisivamente na educação do povo e na preparação dos especialistas para promover o desenvolvimento. Assim, vamos evoluir e alcançar outro patamar no cenário mundial. A informática e o transporte aéreo reduziram significativamente as distancias e o tempo de existência permitindo em poucos segundos se obter novos conhecimentos e experiências. Não basta ser Campeão de Futebol (já perdendo este título) e outros títulos pouco importantes. É preciso uma decisão séria e coragem para enfrentar este desafio. Mais vale apoiar uma Universidade, sem faltar recursos para pesquisas e salários e melhores condições para os estudantes que, ficar criando “Arenas”. E vamos nos desculpando dessa triste posição brasileira, dizendo que somos melhores que outros países (alguns pobres e sem grande potencial econômico). Falta Visão de Futuro, Competência e mais Idealismo.
Ilhéus, Bahia – agosto de 2014 –
Jorge Raymundo Vieira
























































