PSICOGRAFIA AO AVESSO
Como se sabe, a psicografia é – para quem acredita – um recurso da mediunidade utilizado para que espíritos desencarnados, ou seja, os mortos, possam endereçar mensagens por escrito para nós, os vivos, ou encarnados, como dizem no jargão espírita.
É um valiosíssimo recurso para que os que se encontram do outro lado da vida possam inspirar, consolar, exortar, esclarecer, orientar sobre questões maiores atinentes à vida espiritual e à conduta humana. Foi por meio da psicografia que foram ditados, pelos espíritos, as centenas de livros escritos por Chico Xavier, Divaldo Franco e tantos outros médiuns.
Quem já perdeu algum ente querido acaricia, ainda que secreta ou inconscientemente, o desejo de um dia receber uma mensagem deste, certificando de que está bem e, quem sabe, dando uma daquelas preciosas orientações que nos deram quando encarnados – e que tantas vezes desprezamos irresponsavelmente.
Entretanto, para que possamos receber alguma orientação vinda do Plano Superior, ainda mais com destinatário em primeira pessoa do singular ou em um plural restrito ao núcleo familiar, há uma série de requisitos que não nos cabe questionar, mas sim acatar como sendo a vontade soberana do Altíssimo.
Na impossibilidade concreta de receber uma mensagem de meus entes queridos – que devem ter mais o que fazer – atrevo-me a proceder ao contrário, destinando-lhes uma carta, aberta e pública como a maioria das psicografias, mas desta vez dirigida do mundo dos vivos para o plano espiritual, portanto ao avesso. Assim, como espírita, escrevo:
Caríssimos entes amados.
Espero que todos estejam bem, sob a proteção de nosso Pai Superior, que jamais nos esquece. Espero que sua chegada ao mundo espiritual tenha sido a melhor possível, já que nenhum de nós é nem foi santo, e que teremos contas a prestar. Ainda assim, manifesto a certeza de que a Justiça e a misericórdia de Deus serão sempre maiores do que nossos erros.
Desejo sinceramente que sua estadia no Mundo Espiritual sirva para pavimentar novos caminhos, haurir novos aprendizados e arregimentar forças para os desafios que virão em face da caminhada evolutiva comum a todos os filhos de Deus, seja no plano físico ou espiritual.
Vocês bem sabem que me lembro de vocês todos os dias, e que em face de minhas limitações de encarnado só posso fazê-lo na forma que vocês tinham quando ainda se encontravam na Terra. Mas compreendo que vocês precisam trilhar novos caminhos, novas searas e, em algum momento, reencarnar para concretizar, na experiência carnal, os aprendizados e planos de construção de algo mais próximo do que seja o Reino de Deus, do que este mundo caótico em que vivemos.
Assim, não se prendam ao passado, nem às obrigações e coisas deste mundo, mas olhem para frente e sigam, determinados, o novo caminho que Deus, em sua infinita misericórdia, há de nos facultar a todos.
Por fim, reafirmo a permanência dos laços de amor que nos unem – e que a destruição dos corpos pelo fenômeno da morte não extinguiu – porque fundados no Amor Maior e na certeza de sermos todos, sem exceção, filhos de Deus.
Que Deus esteja convosco, que não abandone a nós vivos, e que nos permita, um dia, reencontrarmo-nos.
Paz a todos, na Luta pela construção de um mundo melhor, em todas as moradas que há na casa do Pai.
Amorosamente,
Julio Gomes
Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz. e-mail: juliogomesartigos@gmail.com
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