OS FRANCO – MAÇONS – PARTE IV

Ir.’. Everaldo
Aos estimados leitores do nosso R2CPRESS, integrantes e interessados na história da Maçonaria.
Em nossa edição anterior relativa à história da Franco-Maçonaria ao redor do mundo, iniciamos os nossos estudos sobre a sua chegada na França. Neste contexto, tomaremos conhecimento da histórica presença da Maçonaria nos momentos mais importantes daquele país.Aproveito a oportunidade para desejar a TODOS um NATAL de muita LUZ e um ANO NOVO repleto de REALIZAÇÕES, ALEGRIAS, SAÚDE e PAZ!
O ANTIGO RITO ESCOCÊS
Os vários Graus da Franco-Maçonaria francesa da época estavam ligados ao respeito pelo L’Écossais (os Graus Escoceses), que derivam do que é conhecido como Discursos de Ramsay. André Ramsay, também conhecido como Cavaleiro de Ramsay, foi um maçom de orígem escocesa e dizia que a Maçonaria surgira na Terra Santa durante as Cruzadas como uma Ordem de Cavalaria.
Em 1728, ele propôs à Grande Loja Inglesa que os três Graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom fossem substituídos por três Graus de sua própria ideia – Maçom Escocês, Noviço e Cavaleiro do Templo. Mas a Grande Loja rejeitou sua proposta.
Na França, foi diferente. Ele levou para esse país os três Graus e eles se tornaram tão populares que deram origem a um total de 33 ao todo, que foram desde então conhecidos como o Antigo Rito Escocês (ou L’Écossais).
Entre as Lojas que seguiram L’Écossais havia o Capítulo de Clermont, com sete Graus, fundado em 1750 pelo Cavaleiro de Bonneville; o Rito de Saint-Martin, fundado pelo Marquês de Saint-Martin, em 1767; o Rito dos Iluminados de Avignon, que foi introduzido em Paris por um frade beneditino e um barão polonês, em 1760 e vários outros. Determinada em não excluir as mulheres, nos anos anteriores à Revolução Francesa de 1789, uma certa Madame de Choumont fundou em Paris a Ordem dos Cavaleiros e Ninfas da Rosa como uma Ordem de Adoção, na qual mulheres podiam ser iniciadas. Mas, em 1760, um organizado Antigo Rito Escocês foi estabelecido sob o controle da Grande Loja da França, também conhecida como O Grande Oriente.
REVOLUÇÃO E IMPÉRIO
Com a morte de Luís XV, em 1774, o seu neto, Luís XVI, cujo pai falecera alguns anos antes, assumiu o trono. Considerado tão fraco quanto o seu avô havia sido forte, em 1788, Luís foi obrigado a convocar uma reunião dos Estados Gerais, o “parlamento” francês, que se reunira pela última vez em 1614. A reunião incluía representantes da Igreja (o Primeiro Estado), a Aristocracia (o Segundo Estado ) e os homens de posses da classe média (o Terceiro Estado ).Desafiando o direito dos outros dois Estados a qualquer expressão no Governo da França, o Terceiro Estado proclamou-se a Assembléia Nacional, assumindo o Poder Legislativo.
Luís, cujo primo, o influente duque de Orléans, que havia sido Grão-Mestre da Grande Loja Francesa, viria a ser o líder da Assembléia, sem autoridade para promover qualquer influência, nada fez para impedir o que estava acontecendo. Espalhado um boato em Paris de que ele estava para dissolver a Assembléia e prender os seus líderes, o povo invadiu a Bastilha, um acontecimento considerado por muitos como o início da própria Revolução Francesa.
Em 1793, cinco anos depois da tomada da Bastilha, Luís foi posto em julgamento, acusado de conspirar com o exército austríaco e outros exércitos que estavam invadindo a França. Ao ser declarado culpado, a Assembléia, ora intitulada Convenção, com uma maioria de 71, votou pela sua condenação à morte. Entre os que votaram para que a sentença fosse executada estava Orléans, que passara a se chamar Philippe Égalité (“Felipe Igualdade”).
Inimigos da Maçonaria alegaram que os maçons foram responsáveis pela Revolução, pois muitos membros da Assembléia e da Convenção eram membros de Lojas.
A reputação da Maçonaria, que atraiu homens da aristocracia e da classe alta às suas Lojas, foi responsável por seu declínio na França durante a Revolução. Depois de Luís XV e seu primo Philippe Égalité perderem suas cabeças para a “Senhora Guilhotina” (Madame la Guilhotine – cujo inventor havia sido membro de uma Loja), a Maçonaria sumiu relativamente. Ela reapareceu com a subida de Napoleão ao poder.
Tal como muitos governantes absolutistas, Napoleão desconfiava de qualquer organização secreta que se reunisse com mais de 20 pessoas com objetivos religiosos, políticos ou de outra ordem.
Embora os maçons finalmente tivessem obtido o consentimento imperial para continuar com as sessões das Lojas, o imperador ordenou ao seu Ministro do Interior que investigasse se os maçons estavam ou não envolvidos em quaisquer atividades políticas. A única região do Império Francês, na qual os prefeitos de Napoleão encontraram algumas evidências de maçons desleais, foi em Genebra, na Suíça, ocupada pelas tropas francesas em 1798. Todos os outros súditos maçons franceses foram julgados como cidadãos leais. Entre eles, embora não fosse maçom per se, estava a primeira esposa de Napoleão, Josefina, que era a Grã-Mestra da Loja de Adoção de Santa Carolina.
Durante a Revolução Francesa e depois, a Maçonaria passou por diversas situações. Em países onde os monarcas católicos temiam a expansão dos princípios revolucionários de Liberdade, Fraternidade e Igualdade, ela foi suprimida e banida. Em outros países, os homens tiveram a liberdade de se associar a uma Loja sem medo de serem perseguidos.
Napoleão III, sobrinho de Napoleão que, em 1851, assumiu o título de Imperador, estava muito interessado na Maçonaria, mais por razões políticas do que razões altruísticas ou filosóficas. Ele até chegou a impor o seu próprio candidato para a posição de Grão-Mestre do Grande Oriente da França, apesar de , subsequentemente, restaurar aos membros o direito de eleger seu próprio Grão-Mestre.
O próprio Napoleão foi deposto, depois de ter sido aprisionado pelo exército prussiano durante a batalha de Sedan, em 1870. Os maçons tiveram um papel notável na subsequente revolução, na Comuna de Paris e na Guerra Civil entre o governo e a Comuna.
Nesta etapa das nossas pesquisas concluímos a atuação da Maçonaria nos diversos acontecimentos da história da França. Nossa próxima abordagem será dedicada à Maçonaria ao redor do mundo no Século XX.
JOSÉ EVERALDO ANDRADE SOUZA
MESTRE MAÇOM DA LOJA ELIAS OCKÉ – N° 1841
FEDERADA AO GRANDE ORIENTE DO BRASIL – RITO BRASILEIRO
ORIENTE DE ILHÉUS – BAHIA
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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
Johnstone, Michael
Os Franco-Maçons – trad. Fúlvio Lubisco – São Paulo: Masdra, 2010.
Título original: The Freemasons.
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