OS FRANCOS – MAÇONS PARTE VI
Ir.’. Everaldo
Nossa caminhada ao redor do mundo
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Durante a Era Napoleônica, os maçons franceses fundaram Lojas ao redor da Costa do Mediterrâneo, em partes da África e no Caribe. Lojas foram estabelecidas por maçons holandeses nas Índias Orientais holandesas e nas colônias da Holanda das Américas Central e do Sul. Com a expansão do Império Britânico, em todos os pontos Norte, Sul, Leste e Oeste, ex-patriotas do Reino Unido fundaram Lojas leais às Constituições inglesas, escocesas e irlandesas em lugares muito afastados ao redor do mundo.
A ARTE REAL NA ÁFRICA
Foi somente nove anos depois da fundação da Grande Loja Inglesa que um maçom, chamado Richard Hull, obteve uma patente concedida pela Grande Loja e intitulou-se Grão-Mestre para a Gâmbia, na África Oriental. Por motivos não conhecidos, ele nunca fez uso da patente e nunca realizou os seus planos para fundar uma Grande Loja Gambiana.
Mas a Maçonaria provou ser finalmente popular em toda a África Ocidental, com suas Lojas seguindo as tradições dos países europeus que primeiro ali fundaram suas colônias. Caso fosse a Inglaterra, os homens que ali se estabeleceram levando consigo suas tradições maçônicas, poderiam ser inglesas, escocesas ou irlandesas. É por isso que na Nigéria e em Gana, existem Lojas de Constituição inglesa, irlandesa e escocesas. Outros países da África Ocidental, Gabão, Costa do Marfim e Libéria possuem Grandes Lojas independentes. Em Benin, Senegal e outros países da África Ocidental, que chegaram a ser territórios franceses, a Maçonaria é principalmente patenteada pelo Grande Oriente.
A Maçonaria alemã é também evidente na região, mas somente um pouco. A Alemanha, cujas ambições imperiais apenas nasceram com a unificação dos Estados Alemães, em 1870, entrou muito tarde nesse jogo quando a Grã-Bretanha, a França e também a Holanda já haviam dividido o grande continente entre si. Togo, que fez parte do Império Alemão a partir dos anos de 1880 até o final da Primeira Grande Guerra (em 1918 ), quando foi cedido à Inglaterra e à França, tem Lojas alemãs, bem como Lojas patenteadas pelas Grande Lojas Inglesas e pelo Grande Oriente (da França).
Também há uma influência alemã do outro lado do continente, na Tanzânia, que como Tanganica, em uma certa época foi governada por Berlim. Mais ao norte, no Egito, que fazia parte do império Otomano Turco, uma Grande Loja foi estabelecida em 1864. Anteriormente, havia Lojas de origem grega, italiana e francesa, esta última tendo sido particularmente ativa no país durante o governo de Napoleão.
A França também era a influência dominante européia ao norte da África, onde Lojas francesas foram fundadas. Algumas ainda se reúnem, mas com o surgimento do fundamentalismo islâmico nessa região, a Franco-Maçonaria foi banida em vários países.
A Holanda foi o primeiro país europeu a colonizar a África do Sul, e os colonos holandeses estabeleceram Lojas leais à Grande Loja Holandesa ao final do século XVIII. Foram seguidos pelos britânicos que formaram Lojas patenteadas pela própria Grã-Bretanha, a primeira sendo inglesa foi em 1811.
O SUBCONTINENTE INDIANO
Nesse meio tempo, através do Oceano Índico, muitos britânicos haviam se estabelecido no subcontinente ao servir o Exército Britânico, trabalhando para o Serviço Civil Indiano ou para a Companhia da Índia Oriental. Era natural que esses homens, que tinham sido membros de Lojas na Inglaterra, levassem consigo a Maçonaria e, em 1730, uma Loja foi fundada em Calcutá, seguidas por outras alguns anos mais tarde, em Madras e Bombaim.
No início, esse era o território de ex-patriotas europeus, mas não demorou muito para que indianos ambiciosos, que queriam imitar os europeus devido à grande admiração que tinham por eles, demonstrassem um interesse na Maçonaria. Isso era contrário aos regulamentos de algumas Lojas, pelo fato de o panteão hindu tornar impossível aos adeptos sua crença em um único Ser Supremo, um pré-requisito de aceitação em uma Loja.
O problema foi levado ao Grão-Mestre da Grande Loja Inglesa, o duque de Sussex, na Inglaterra. Ele declarou que a religião de um maçom era um assunto particular e que os deuses, em quem os indianos acreditavam, eram várias personificações do único Ser Supremo. O caminho estava aberto para que o Dr. George Burns, Grão-Mestre Provincial para a Índia Ocidental e um dos homens que era a favor da admissão dos indianos, fundasse uma Loja em Bombaim, patenteada pela Grande Loja da Escócia e aberta à população local. Não foram apenas os hindus que foram aceitos na Maçonaria da Índia – quando foi concedida a independência ao subcontimente, em 1947, muçulmanos, parsis e siques haviam sido admitidos em Lojas em toda a Índia.
A igualdade racial e social engendrada pela Franco-Maçonaria, na Índia, foi resumida por Rudyard Kipling, um maçom leal, que viveu na Índia entre 1880 e 1889, em seu poema A Loja Mãe (The Mother Lodge).
Com a independência da Índia, em 1947, muitos britânicos voltaram para casa e, 14 anos mais tarde, a Grande Loja da Índia foi fundada. Com a independência, também sobreveio a divisão do subcontinente na Índia hindu e no Paquistão muçulmano. Embora a Maçonaria continuasse a prosperar na Índia, no Paquistão foi suprimida pelo governo islâmico.
Em nossa próxima edição, continuaremos destacando a presença da Maçonaria na Ásia, em países como a China, Austrália e Nova Zelândia.
JOSÉ EVERALDO ANDRADE SOUZA
MESTRA MAÇOM DA LOJA ELIAS OCKÉ N° 1841
FEDERADA AO GRANDE ORIENTE DO BRASIL – RITO BRASILEIRO
ORIENTE DE ILHÉUS – BAHIA
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Johnstone, Michael
Os Franco-Maçons – Trad Fúlvio Lubisco – São Paulo: Madras, 2010
Título Original: The Freemasons
Harwood, Jeremy
Maçonaria: Desvendando os Mistérios Milenares da Fraternidade.
Trad. Alexandre Trigo – 1. ed. – São Paulo: Madras, 2014.
Título Original: Freemasons.
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