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março 2015
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Heckel Januário em: QUANTA HIPOCRISIA!!!

Nove meses depois de deflagrada a operação Lava-Jato pela Polícia Federal, Ricardo Semler, um importante braço do tucanato, presidente da Semco e autor do best-seller “Virando a Própria Mesa”, ao analisar o esquema de propinas da Petrobras/Empreiteiras deixou claro em seu artigo “Nunca se roubou tão pouco” (publicado em Nov/2014) que tal armação existia desde os anos 70.

E como empresário do ramo de equipamentos, enfatiza: “…Era impossível vender diretamente sem propina…” e, continua categórico noutros trechos: “…Não há no mundo dos negócios quem não saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcionários que nada ganham com a bandalheira da cúpula…”; “… Agora tem gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobras. Santa hipocrisia. Onde estavam os envergonhados do país nas décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão –cem vezes mais do que o caso Petrobras– pelos empresários?…”. E sem esquecer o fato acha “…que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país” e, prosseguindo,  no  parágrafo seguinte afirma: “É ingênuo quem acha que poderia ter acontecido com qualquer presidente. Com bandalheiras vastamente maiores, nunca a Polícia Federal teria tido autonomia para prender corruptos cujos tentáculos levam ao próprio governo…”

Os fragmentos são para alcançar a badalada Corrupção da Petrobras e as indigestas medidas de ajuste da economia, alvos no domingo(15) de democráticos protestos populares em todo o país em que se chegou a pedir o impeachment  da presidente e livremente, conscientemente ou não, a intervenção militar, manifestação esta no entanto antidemocrática por infringir a norma constitucional. Para meu olhar, fora das quatro linhas do campo do jogo, o mal da corrupção não é exclusividade do Brasil, ele existe aqui como no Japão, na Cochinchina ou nos EUA; o espanto procede porque agora os casos não são mais jogados pra baixo do tapete como nos deixa entender o empreendedor paulista. Internamente, o Executivo, pela própria condição de vidraça, é a bola da vez, mas os outros poderes não estão imunes. A continuidade de instituição mais desacreditada e o atual e esdrúxulo quadro das investigações dos presidentes das duas Casas – Senado e Câmara – são exemplos da vulnerabilidade do Congresso Nacional. A Justiça também não sai incólume. Lembra o caro leitor, da juíza Eliana Calmon, do CNJ, em 2011 e de sua declaração “Há bandidos escondidos atrás da toga” ao desvendar a podridão do Judiciário? E que dizer do recente e inusitado fato de um juiz federal ter virado réu por tentar surripiar os bens de um condenado? Não obstante, vale ressaltar, recuperando o crédito, o esforço deste Poder em expurgar maus magistrados e em diminuir a impunidade, e assim, tentar apagar o nome de “Casa da Mãe Joana” que o Brasil carrega de longa data. E note que, contrariando a tolerância, o xadrez só tem recebido peixe grande!

Ora, como brilha no epicentro deste cenário o famoso e conhecido “financiamentos de campanhas”, duas perguntazinhas não quer calar, claro, sem se tratar de ‘propina’: Algum partido idem seus representantes políticos rejeitaria sinceramente uma graninha a mais na bandeja para tocar uma campanha, como se sabe, cara? Que atire a primeira pedra a instituição partidária que disser sim, mas desde já coloco todas em um só saco, mesmo se houver por aceitar tranquila e calma o sistema politico vigente alguma tida como coerente.  Ah, quanto aos membros parlamentares partidários não, salvo de A a Z as exceções, pois senão, estaríamos todos mais fodi… A introdução dessas “facilidades” as quais jamais foram coibidas com as regras chamadas de Reforma Politica é para, refletindo o destacado tucano, plagia-lo: Quanta hipocrisia!!! Calma, a outra, a outra: Será que a maioria dos distintos congressistas, idem siglas partidárias, deseja realmente abandonar essas mãozinhas divinas? Óbvio, ‘divinas’ pros ilustres, pros ilustres.

Heckel Januário

 

3 respostas para “Heckel Januário em: QUANTA HIPOCRISIA!!!”

  • JOSE ALBERTO MAIA says:

    Nós colocamos o PT no governo para sanar este estado de corrupção, roubalheira, inchaço do estado, governar com mentiras. ect. 12 (doze) anos depois vem este governo, que não acabou com todas as mazelas mas aumentou, colocar a culpa nos governos anteriores.

  • Duda Weyll says:

    Se lembre que antes de 1994 o financiamento empresarial de campanha era proibido e o esquema de propinas na simbiose entre o estado e empresas pelegas acontecia antes, durante e depois das eleições…

    A solução apresentada pelo Governo é, no mínimo, desonesta, pois a forma mais fácil de encontrar a gênese da corrupção é através das doações legais, seguindo o dinheiro… Se a doação passa a ser ilegal, não tem ponto de partida, passa a ser como antes: tudo debaixo dos panos.


    Pra relembrar:

    LEI No 5.682, DE 21 DE JULHO DE 1971.

    Art. 91. É vedado aos Partidos:

    I – receber, direta ou indiretamente, contribuição ou auxílio pecuniário ou estimável em dinheiro, inclusive através de publicidade de qualquer espécie, procedente de pessoa ou entidade estrangeira;

    II – receber recurso de autoridade ou órgãos públicos, ressalvadas as dotações referidas nos números I e II do art. 95, e no art. 96;

    III – receber, direta ou indiretamente, auxílio ou contribuição, inclusive através de publicidade de qualquer espécie, de autarquias, emprêsas públicas ou concessionárias de serviço, sociedades de economia mista e fundações instituídas em virtude de lei e para cujos recursos concorram órgãos ou entidades governamentais;

    IV – receber, direta ou indiretamente, sob qualquer forma ou pretexto, contribuição, auxílio ou recurso procedente de emprêsa privada, de finalidade lucrativa, entidade de classe ou sindical.

  • Heckel says:

    Valeu os comentários, Maia e Weyll. Percebam que coloquei “financiamento de campanha” entre aspas para que as conclusões fossem individualizadas, obviamente, como de se esperar, nada salutares. Agora, quanto a partidos, no meu ponto de vista todos se igualam, embora selecione em todos eles, mesmo poucos, representantes que não coadunam totalmente com o atual sistema politico, e podem ser chamados de dignos. Uma reforma política com mecanismos q enquadrasse na prática as siglas partidárias seguirem normas de conduta éticas, como por exemplo, o tal dim dim de campanha às claras, mas às claras mesmo, poderia, se não totalmente, melhorar bem o sistema.

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