“É a sua vida que eu quero bordar na minha/ Como se eu fosse o pano e você fosse a linha/E a agulha do real nas mãos da fantasia/ 

Fosse bordando ponto a ponto nosso dia-a-dia…”.

“A linha e o linho”, música de Gilberto Gil na voz harmoniosa de Margareth Menezes, deu o tom da abertura do VIII Encontro de Artesãos da Bahia, realizado nesta quinta-feira 19, no auditório da Fundação Luiz Eduardo Magalhães (FLEM), no Centro Administrativo da Bahia (CAB).

VIII Encontro de Artesãos da Bahia

A homenagem emocionou os cerca de 400 artesãos, que vibraram pelo espírito de congraçamento e reflexão que marca a data. Em especial, gente simples e humilde como a artesã de renda de bilro, Maria do Carmo Amorim, de Saubara, Recôncavo Baiano, convidada pelos organizadores para saudar os companheiros de jornada.

Compromisso – O “Dia do Artesão” foi comemorado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Presentes, o secretário estadual do Trabalho e Esporte Álvaro Gomes; a secretária estadual de Política para as Mulheres Olívia Santana; o diretor Geral da Sudesb Elias Dourado; entre outras autoridades.

Titular da Setre, Álvaro Gomes disse que não haverá nenhum prejuízo à categoria com a extinção do Instituto Mauá. E que os dois imóveis de comercialização, no Pelourinho e na Barra, vão continuar a serviço da produção artesanal da capital e interior.  Tranquilizou os artesãos sobre a política pública para o segmento e reafirmou o compromisso em estimular e fortalecer o artesanato baiano.

Secretária de Políticas para Mulheres do Estado, Olívia Santana destacou a arte secular dos artesãos e citou a escritora francesa Simone de Beauvoir: “O trabalho diminui a distância entre os homens. Nós, mulheres, queremos respeito, valorização e compartilhamento dos homens, para que tenhamos dias melhores”.

Lançamento – O evento também marcou o lançamento do livro “Fios e Fibras – Imbiras, Bitús e Caçuás”, do extinto Instituto Mauá, organizado por Rodrigo Lyra e Eliana Andrade Rocha, resultado de uma pesquisa sobre tipologias artesanais na Bahia.

Ainda como parte da programação, os artesãos individuais, cooperados, membros de associações e gestores públicos assistiram palestras e apresentações culturais. Uma delas do coral Canto de Todo Lugar, formado por servidores e sob a regência do maestro Magno Aguiar.

Durante o evento, o artesão José Roque Azevedo, da comunidade de Ituberá, Baixo Sul do Estado, fez entrega de um espelho com moldura em piaçava ao secretário da Setre.

Legitimidade – A coordenadora estadual de Fomento ao Artesanato, Emília Almeida (Setre), garantiu que o foco do Governo do Estado segue fiel à filosofia essencial do extinto Mauá, de legitimidade na valorização e preservação do artesanato, importante patrimônio artístico e cultural da Bahia.

E nesta linha de ação embalada pelos versos do músico baiano Gilberto Gil,  “Você a linha e eu o linho, nosso amor/Nossa colcha de cama, nossa toalha de mesa/ Reproduzidos no bordado/ A casa, a estrada, a correnteza/ O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza…”, a Setre consagrou a realização de mais um encontro dos artesãos baianos.

Ascom Setre