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maio 2015
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O GALO

VITRIOL

 Ir.’. Leonardo Garcia Diniz

Ao ser introduzido, durante nossa iniciação, na Câmara de reflexões, no REAA, aflige-se os neófitos, é parte da chamada prova da terra, é, igual, artifício usado para se perceber as reais vontades do iniciando; local um tanto quanto discreto, cheio rachaduras nas paredes, parecendo mofado, meio que escondido, tem ares de gruta / caverna, onde ficamos nós, maçons, por um determinado tempo, conjeturando sobre nossas vidas, testamentando, enquanto lá fora nossa iniciação está em andamento.

V.I.T.R.I.O.L. – Simboliza o centro da Terra de onde o candidato veio e para onde voltará. É um local idealizado para meditação e introspecção. Ali, na câmera, despojado de metais, o candidato inicia a procura do EU e a consciência da relação deste EU com o GADU.

Entre os símbolos existentes dentro da Câmara de Reflexão esta pintado na parede um Galo, encimado por uma bandeirola com os dizeres “vigilância” e “perseverança”.

Vigilância, nos dicionários, quer dizer ato de vigiar, precaução, cuidado, zelo, diligência.

Perseverança, quer dizer qualidade ou procedimento de pertinácia, constância, firmeza e ainda persistência.

Nos manuais maçônicos os dizeres acima referidos significam “vigiar severamente” Sugere ao candidato que ele desde aquele momento deverá estar sempre atento e esperto aos símbolos que ora está vislumbrando, mas, cuja compreensão só conseguirá com muito estudo e perseverança.

Quanto ao animal “Galo” este apresenta um simbolismo mais abrangente com uma tradição mais extensa e mais antiga.

Segundo uma historieta, Grega, Áries (Marte) passava as noites com Afrodite durante a ausência de seu esposo Hefaistes (Vulcano) e incumbiu Alektraon de ficar vigiando a chegada do marido traído; mas, Alektraon dormiu e o marido surpreendeu os amantes.

Áries para castigar o falso vigilante transformou-o em um Galo.

Alektraon que em grego antigo quer dizer Galo teve seu nome eternamente ligado ao animal que Aries ao castiga-lo o transformou; assim, castigado foi o “Galo”, ali, a sua eterna vigilância.

Diz-se que o Galo cantando de madrugada (embora também cante em outras horas), assombra o leão, espanta os demônios, dissipa o terror da noite.

O Galo desperta a aurora, convoca a humanidade a saudar a perfeição sagrada e seu canto esconjura os espectros e demônios. Por isso ele simboliza a alvorada. O seu canto marca a hora do amanhecer, portanto, a vitória da Luz sobre as Trevas.

O Galo é considerado o arauto do sol e também o anunciador da ressurreição do sol. Entre os hermetistas, o mercúrio aparece sob a forma de Galo. Considerado o símbolo da pureza, sabedoria e inteligência.

É, também, o Galo, considerado como símbolo da cautela, da ousadia ou intrepidez. Diz-se que ele tem as qualidades do mercúrio secreto (alquimia).

Entre os católicos o Galo lembra a Penitência e São Pedro, o qual negou a Cristo antes do Galo cantar três vezes. O Galo aparece em muitas torres de Igrejas. Os cristãos primitivos se reuniam ao primeiro canto do Galo.

Nestas alturas já se entende que o Galo que aparece na Câmara de Reflexões não é um símbolo exclusivamente maçônico. A Maçonaria o tomou emprestado.

O Galo, praticamente, está presente em todas as culturas antigas; logo, apesar de usado em nossa Ordem ele não é um símbolo de origem maçônica, mas adotado.

O Galo simboliza a Vigilância e lembra ao maçom que deverá ser vigilante na função seja qual for que desempenhar na sociedade.

Na Câmara de Reflexões está próximo da ampulheta significando que o tempo não para, não cessa nunca para o maçom.

O Galo, também, simboliza as forças adormecidas que a iniciação tenta despertar nos neófitos anunciando a luz que ele irá receber, como se fora uma verdadeira ressurreição porque o maçom ao ser iniciado morre para o vicio e nasce para a virtude, ou seja, morrendo para a vida profana e ressurgindo num plano de espiritualidade mais completo e elevado.

É lógico que todos os demais símbolos existentes na Câmara de Reflexão fazem parte do processo iniciático e cada qual complementando e se interagindo com os demais. Por isso, pela sua representatividade em nossa Ordem, o Galo pode e deve ser usado em nossa lapela, com muita honra, pois, que somos eternos “vigilantes” em combater vícios e perseverar para tornar feliz a humanidade.

TRABALHO PESQUISA:
Leonardo Garcia Diniz – Terras Do Sem Fim
Ihéus – Bahia – Brasil
Aug.’. e Resp.’. Loj.’. Simb.’. Vigilância e Resistência n° 70

 

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