AFINAL, QUEM PROJETOU A CIDADE DE BRASÍLIA?

Alan Dick Megi
Por ocasião das comemorações do aniversário da nossa capital federal, as festividades e elogios à admirável obra executada em tempo recorde apresentam-nos afirmações que nem sempre correspondem à verdade. Mas não desejo entrar no mérito da qualidade do projeto urbanístico da cidade nem dos projetos arquitetônicos dos seus edifícios e monumentos, pois nessa discussão vários “lados” terão razão, mas ninguém poderá negar a importância dessa extraordinária experiência urbanística e arquitetônica, única no planeta. Uma obra projetada e realizada entre 1956 e 1960, com os parcos recursos tecnológicos, logísticos e materiais daquela época, uma epopeia que não tem paralelos em tempos de paz. E se imaginarmos a sua realização nos dias de hoje, esse prazo de menos de 4 anos não seria suficiente nem mesmo para conseguir a licença ambiental. E se descermos um pouco mais e compararmos à obra da nova ponte Ilhéus-Pontal, então, teríamos que rir, ou melhor, teríamos que chorar sentindo-nos incompetentes e ridículos.
Mas o motivo deste escrito não é o de comparar a competência dos governos do passado e do presente, pois todas as variáveis e perspectivas são tão diferentes que impossibilitariam tal comparação de forma simplória e resumida. O que eu busco clarear é a dúvida quanto à autoria do projeto urbanístico da capital, o seu Plano Piloto, que estruturou a cidade em dois eixos que se cruzam, e que em função da topografia teve que ter um dos eixos curvados, resultando em uma forma que lembra um avião. O eixo rodoviário com suas asas norte e sul, cruzadas com o eixo monumental, o grande eixo onde se localiza a maioria dos edifícios públicos e que tem o Congresso Nacional como ponto de referência principal.
À pergunta de quem foi a autoria do projeto, a maioria responde sem pestanejar que foi do arquiteto Oscar Niemeyer.
Certo ou errado?
Errado!
Quem elaborou o projeto da cidade, a sua forma, a localização das vias, seus cruzamentos em níveis distintos, as superquadras e o uso e ocupação do solo foi outro conceituado arquiteto: Lúcio Costa, vencedor do concurso público realizado em 1957. O arquiteto Oscar Niemeyer foi o responsável pela coordenação e execução dos projetos arquitetônicos dos edifícios públicos, dos palácios, dos monumentos, com todas aquelas exuberantes formas que impressionaram tanto.
Portanto, ao falarmos sobre o projeto de Brasília precisamos saber de qual projeto estamos falando. Do projeto da cidade propriamente dita ou dos projetos de seus edifícios.
É importante saber também que a intenção de Lúcio Costa nunca foi dar à cidade uma forma de avião, pois isso foi resultado do posicionamento dos eixos principais e da topografia. A forma original de seu projeto era a de uma cruz.
Alan Dick Megi é Arquiteto e Urbanista, Conselheiro do CAU-BA.



























































