Ilha Verde, de Novo?
Quando Von Martius visitou a Vila dos Ilhéus, no início do Século XIX, denominou “Ilha Verde” ao atual Morro de Pernambuco – este nome significando “Mar Furado”, em Tupinambá, uma denominação comum a outros acidentes geográficos na costa brasileira -. Ele tinha razão pois este morro, até um dos governos de Herval Soledade, era mesmo uma “ilha de maré“, como chamava Maria Palma Andrade, geógrafa decana da UESC. Ilha de maré, segundo ela, são as elevações litorâneas cercadas por água nas marés altas e acessíveis a pé na maré baixa. Contou-me ela que quando os seus filhos eram crianças e vinham de Itabuna veranear no Pontal, esperavam a mare descer para acessarem as praiotas em volta do morro. Tal fenômeno só foi interrompido quando, segundo ela, foi construído um cais de alvenaria permitindo que se acumulasse a areia soprada pelo vento sul, elevando a praia que deu lugar à Nova Brasilia.
Graccho Maia, senador nativo do Pontal, nos conta num dos seus interessantes textos que ali fora um depósito de grandes tubos de cimento – utilizados não sei aonde -, usados pelos jovens do bairro como motel gratuito. Conta, inclusive, o escabroso caso do jovem bisbilhoteiro que foi ao tubo ao lado ver quem tanto gemia, lá encontrando a sua própria mãe dando uma escapulidela ilícita.
Mas isso não nos vem ao caso. Certo dia, um policial se fazendo de autoridade, demarcou a praça hoje ocupada pela “Maramata”, pelo canteiro abandonado da “Nova Ponte” e as ruelas que partem dali na direção do nascente.
Fui ali, ontem bem cedo, buscar um pouco de areia grossa para um vaso de rosa-do-deserto e notei que este cais citado, apenas furado, em 1988, quando mudei-me ao Pontal está hoje, vinte e sete anos depois, quase completamente arruinado. Resultado: o mar quer de volta o seu antigo espaço, comendo legal o barranco onde estão as casas daquele trecho, expondo raízes de coqueiros e alvenarias de casas mais próximas à arrebentação.
Sabendo do bom interesse dos meus colegas urbanistas da PMI em embelezar o entorno do canteiro abandonado da “Nova Ponte”, inclusive com projetos de decks de madeira sobre a embocadura do rio, para o uso privado de um restaurante local, aqui sugiro que incluam no seu rol de prioridades a restauração deste cais pois, se demorarmos, necessitaremos não mais de uma “Nova Ponte”, mas de duas: uma do Pontal ao Centro e outra do Pontal ao Morro de Pernambuco, cogitado como um futuro Parque Municipal.
Guilherme Albagli de Almeida


























































