CHEGUEI A TÊ-LOS EM MINHA AGENDA
Com a visão ofuscada, cheguei a tê-los em minha agenda, clareada, percebi o engano. Refiro-me aos partidos políticos da gente.
Procurar deixá-los entendidos como “farinha do mesmo saco” (significando a existência em todos de uma ideologia afim, e tão somente: a do poder) em repetidos excertos inseridos em passados exercícios de cidadania através de pertinentes escrevinhados, é também revelar que a ilusão de ótica fora sanada de muito. Quanto aos seus representantes, apesar de tais entidades serem cópias fieis de suas ações, não extremei, considerei haver sempre em todas uma parcela disposta a ir ao encontro do povo.
Não, não estou em absoluto tratando do Conservador, do Liberal e nem da Arena e do MDB, integrantes dos outrora bipartidarismo imperial e ditatorial militar, mas dos componentes do atual sistema político eleitoral que tem como principal característica a abundância de siglas, siglas estas que, neste momento ao se dedicarem a Reforma Política, ratificam mais uma vez o meu conceito.
Não questiono se “Lista Fechada”, “Distritão” estre outros, mesmo porque experts no assunto afirmam não existir um modelo ideal, nem questões como “tempo de mandato”, “voto facultativo”, “cota pra mulheres” etc., pois fora das quatro linhas, só com análises tranquilas e acuradas chegaria a que interesses aprovações podem estar direcionadas. Mas um, assinado por suas excelências da Câmara dos Deputados e considerado pai e mãe da corrupção política por renomados conhecedores do pedaço, e reflexo direto no caso Petrobras, não poderia deixar de meter o bedelho: o do financiamento de campanha por empresas.
E foi de lascar porque possibilita o famigerado “caixa dois”, instrumento de ininterrupta badalação, continuar atuando tranquilo e calmo. A respeito da cooperação – entre aspas – que o setor privado presta ao sistema político, ouvi dia desses, se não me engano de um membro de um partido pequeno, a sugestiva frase: “empresa não doa, investe”. Se ganhadora a agremiação, claro, a doadora requererá os ‘direitos’ de recompensa. Ou será realmente por amor à pátria nesse capitalizmozinho nosso de cada dia!?
Diante da atitude cameral (além disso, durma com um barulho desse: as duas Casas presididas por investigados em malversação de recursos) de um lado e campanhas a necessitar de mais e mais dinheiro, inclusive para a abominável “compra de voto”, persistente ato praticado por uma significativa cota de candidatos, me veio insistir na interrogação: Qual dessas instituições se arvora a declarar que nunca usou um dinheirinho não registrado? Que atire a primeira pedra. Aplaudiria, aplaudiria, e de pé!
Para não me alongar, registro mais dois exemplos que subsidiam a tese da igualdade dos partidos. Lembra o caro ledor, da celeuma na compra de votos em 1997 para reeleição presidencial, no governo FHC e que emendou a Constituição? Pois é, o PSDB fez do que fez para conseguir, e o PT era radicalmente contra. E do –igualmente iniciativa dos tucanos – Fator Previdenciário, considerado “um terror” para os aposentados da Previdência? Recorda? Na época o PT – Ave Maria! – lutava de unhas e dentes para derrotar essa proposta, agora, veja você, é uma das cláusulas do ajuste fiscal do mandato petista e, incrivelmente, o tucanato é ardentemente contrário.
Voltando ao financiamento privado, sua aprovação em primeiro turno mostra haver no bojo da referida Casa Legislativa um bicho de duas caras a perturbar a ordem. Uma, a ‘hipocrisia’, bateram nela – como vimos – até os olhos ficarem esbugalhados; a chamada “aética’, caracterizada pela periculosidade e por ser astuta, consegue envolver os parlamentares e com eles conviver, aliás foi um dos ‘rostos’ alvo dos recentes protestos de ruas e “panelaços”, manifestações estas, não sei por que razões, adormecidas nesses instantes.
Heckel Januário


























































