Heckel Januário em: INICIATIVAS UM TANTO CONTRADITÓRIAS
Meio à crise financeira do país – e dos Estado federados– e a incapacidade do governo central de tomar medidas rápidas para tentar ameniza-la, do Legislativo e do Judiciário, outros poderes e ditos harmônicos da República Brasileira, têm brotado, a juízo deste cidadão aqui, iniciativas um tanto contraditórias. Entre umas e outras estampadas nos noticiários selecionei as mais recentes.
A opinião pública, como se sabe, quanto ao badalado “financiamento de campanha” aos políticos –de ação de inconstitucionalidade da OAB vitoriosa no Supremo–, e pivô, assim entendido, da corrupção brasileira, já bateu o martelo de muito: quer acabar com esse sistema. Claro, fazem parte dela, e inclua-se, as vozes das manifestações “democráticas” festivas e não festivas que vão desde o “fora Dilma” à volta do regime militar; portanto, chegando a significativo convencimento. Apesar disso, não é que a Câmara dos Deputados contrariando a expectativa popular, votou pela permanência do dimdim fácil das empresas! E para me aumentar a perplexidade, sobre o tema um ministro do referido Tribunal, acha de passar, como não atentasse para a lentidão, conceitual qualidade de nossa Justiça no seio da população, mais de um ano para dar seu parecer!
Outra que me causou apreensão, é a que determina como as pessoas –servidores, deputados, deputadas e visitantes– devem se vestir para transitarem na Câmara. Como aos nobres machos (como óbvio, refiro-me ao sexo) o regimento já lhes impõe o uso do terno e gravata, o destaque é a proibição de decotes e saias curtas e, até da popularíssima calça jeans, dando um freio na galera desejosa de conhecer ou visitar a mui propagada Casa do Povo. Se o país estivesse voando em céu de brigadeiro nada mais justo a busca pela igualdade da mulher, uma vez que a justificativa insere a citada imposição regimental aos deputados. Por outro lado, mesmo sem turbulências, a frustrar a natural vaidade feminina preferível seria a meu ver, que se propusesse a eliminação do acessório de pescoço e outros invólucros dispensáveis do vestuário masculino.
Ainda dos legisladores, um decreto-lei que tramita ou tramitará na “Casa do Povo” propondo a vigilância, o policiamento para quem falar mal de políticos em geral na internet mais que receoso, me deixou atônito. Objetiva uma mudança no marco civil da internet facilitando a retirada imediata de postagens ofensivas a parlamentares, sobretudo as caluniosas, e que não somente o autor, mas também sites, provedores e portais respondam pelo crime. Até aí tudo bem, pois a ninguém é facultado o direito de atirar a torto e a direito com balas de palavras –e de montagens– injuriosas pondo na lama a vida de outrem. Mas olhando por outro ângulo, nas boas intenções parece estar embutido um certo cerceamento à liberdade de expressão, ou no mínimo, um causador de inibição. À luz das ruas, provavelmente surja a clássica “quem não deve não teme”. E para uma instituição que não faz muito, as pesquisas de opinião apontavam como a mais desacreditada do Brasil…
Voltando à iniciativa do traje a rigor (Vixe! Quase taco “ultraje! ”. No clima do Rock in Rio me veio aquela famosa banda paulista de rock: Ultraje a Rigor) imposta pela mencionada Casa, nada contra suas excelências se enfatiotarem, porque dessa maneira facilita a sociedade diferenciar as autoridades governamentais de seus súditos, só que, caráter ilibado, condição sine qua non, que deveria possuir todo representante do povo, não depende de roupa composta ou menos composta, como preceitua as convictas proposições legislativas, e sim do seu modo de agir.
Heckel Januário



























































