Epidemias transmitidas por insetos são típicas e facilmente proliferáveis em países tropicais subdesenvolvidos e insuficientes nos sistemas de saneamento, saúde e educação.
A coisa piora quando um só tipo de inseto serve de vetor para quatro doenças. Mas não para por aí. Pior ainda, quando o combate ao inseto depende muito mais da população do que do governo. Aí é bronca.
Após décadas de campanhas e ensinamentos sobre prevenção e combate ao mosquito Aedes Aegypti, pouco provável ainda haver gente que não tenha nenhuma noção das medidas preventivas. Fica claro, então, que o povo é displicente, negligente e continua alheio ao perigo, até surgir uma vítima fatal dentro de sua casa, na sua rua ou bairro. 
Prova do descaso da população são as visitas regulares que recebo de agentes municipais de combate à dengue (aliás, já está na hora de mudar o nome para “agente municipal de combate à dengue, chicungunha, zika e microcefalia”).Tenho sempre a curiosidade de perguntar aos agentes se tem havido alguma melhora no comportamento das pessoas frente à adoção das medidas preventivas. Toda vez, a mesma resposta negativa, indicando que o desleixo é maior do que a ignorância e, desse jeito, não há como vencer a guerra contra o mosquito.
Quiçá a comprovação da alta incidência de microcefalia associada ao Aedes sirva de um motivo a mais para que o povo resolva tomar vergonha e, enfim, desperte para a gravidade do problema.   
 
Nilson Pessoa