O PATRIARCA DE JUAZEIRO

II

 Para auxiliá-lo  no  trabalho pastoral, Padre  Cícero resolveu, recrutar mulheres solteiras e viúvas  para a organização   de uma irmandade leiga, formada por beatas, sob sua inteira autoridade. Um fato incomum, acontecido em lº de março de 1889, transformou a rotina do lugarejo  a vida de Padre Cícero para sempre. Naquela data, ao participar de uma comunhão geral, oficiada por ele na capela de Nossa Senhora das Dores, a beata Maria de Araújo ao receber a hóstia consagrada, não pôde degluti-la pois a mesma transformara-se em sangue. O fato repetiu-se outras vezes, e o povo achou que se tratava de um novo derramamento de sangue de Jesus Cristo portanto, era um milagre autêntico. As toalhas com as quais se limpava a boca da beata ficaram manchadas de sangue e passaram a ser alvo da veneração de todos. De início, Padre Cícero tratou o caso com cautela, guardando inclusive sigilo por algum tempo. Os médicos Marcos Madeira e Idelfonso Correia Lima e o farmacêutico Joaquim Secundo Chaves foram convidados para testemunhar as transformações, depois  assinaram atestados afirmando que o fato era inexplicável à luz da ciência. Isto contribuiu para fortalecer no povo, no Padre Cícero e em outros sacerdotes a crença no milagre. O povoado passou a ser alvo de peregrinação: as pessoas queriam ver a beata e adorar os panos tintos de sangue. Houve contestação por parte  do Bispo D. Joaquim José Vieira, o assunto foi analisado pela Santa Sé  e esta confirmou a decisão tomada pelo Bispo, ou seja não houve milagre algum, daí o Padre Cícero sofreu uma suspensão de ordem e ingressou na vida política, atendendo aos insistentes apelos dos amigos. E em 22 de julho de 1911, Padre Cícero foi nomeado Prefeito do recém-criado município. Além de Prefeito, também ocupou a Vice-Presidência do ceará. Sua casa, antes visitada apenas por romeiros, passou a ser procurada também por políticos e autoridades diversas. Era muito grande o volume de correspondências que Padre Cícero recebia e mandava. Não  deixava nenhuma  carta, mesmo pequenos bilhetes, sem resposta, e de tudo guardava cópia.

Padre Cícero é o maior benfeitor de Juazeiro e a figura mais importante de sua história. Foi ele quem trouxe para Juazeiro a Ordem dos Salesianos; doou os terrenos para construção do primeiro campo de futebol e do aeroporto; construiu as cepelas do Socorro, de São Vicente, de São Miguel e a Igreja de Nossa Senhora das Dores; incentivou a fundação do primeiro jornal local ( O Rebate); fundou a Associação dos Empregados do Comércio e o Apostolado da Oração; realizou a primeira exposição da arte Juazeirense no Rio de Janeiro; incentivou e dinamizou o artesanato artístico e utilitário, como fonte de renda; incentivou a instalação  do ramo de ourivesaria; estimulou a expansão da agricultura, introduzindo o plantio de novas culturas; contribuiu para instalação de muitas escolas, inclusive a famosa Escola Normal Rural e o Orfanato Jesus Maria José; socorreu a população durante as secas e epidemias, prestando-lhe toda assistência e, finalmente, projeto Juazeiro no cenário político nacional, transformando o pequeno lugarejo na mais e mais importante cidade do interior cearense. Os bens que recebeu por doação durante sua quase secular existência, foram doados à Igreja, sendo os Salesianos seus maiores herdeiros. Ao morrer, no dia 20 de Julho de 1934, aos 90 anos, seus inimigos gratuitos apregoaram que, morto o ídolo, a cidade que ele fundou e a devoção à sua pessoa acabariam logo. Enganaram-se. A cidade prosperou e a devoção aumentou E Juazeiro é o seu grande e incontestável milagre. Em março de 2004 em eleição promovida pelo Sistema Verdes Mares de Televisão, Padre Cícero foi escolhido O CEARENSE DO SÉCULO.

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                                                           Colaboração de Luiz Castro

                                                       Bacharel Administração de Empresa