Nascido há um bom tempo na Avenida Canavieiras em frente ao Instituto Municipal de Educação e já de muito transferido para a Praça Florêncio Gomes, o Zequito’s Bar ou Bar de Zequito (abrasileiramento a contragosto do dono, por um lapso do letrista), silenciou.

Controverso, o Bar de Zequito podia ser considerado sui generis no ramo etílico aqui da Capitania dos Ilhéus, aliás controvérsia derivada da contaminação de sua localização porque embora Florêncio seja o atual endereço oficial o busto do coronel Mizael Tavares, um dos nomes do logradouro no passado, continua impávido sugestionando os passantes.

Salvo um amendoim ou um pastelzinho meia-boca o Bar não mexia com o de comer, o negócio era só mesmo o líquido etílico com destaque para a cerveja, servida, se diga, geladíssima; porém o contrassenso de não rolar um tiragostozinho sequer num boteco que se preze, seria compensado nos fins de semana com   alguma iguaria trazida por algum membro de sua fiel clientela, e claro, sem nenhum custo adicional para os presentes. Peculiaridade que teve como iniciador o ceplaqueano Manoel Felipe, useiro e vezeiro do recinto, e “chef”, como o afrancesaram, de exóticos petiscos.

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O brado de “Olha a hora seu juiz! ” soado do lado de dentro do balcão quando vivo por Vavá, irmão e sócio no estabelecimento, ou pelo próprio Zequito, estivesse o salão repleto ou não, significando que daquele momento em diante não havia apelo de rei que fizesse uma cerveja ser despachada, constituía outra marca desta singularidade.

Por vezes a discussão política envolvendo problemas inerentes ao País, à Bahia, à Região Cacaueira e à cidade de Ilhéus, dominava o ambiente. Se concernente ao Estado baiano o tema se prendesse, por exemplo, às manjadas promessas de campanha em tempo de eleição, havia uma correspondência de opiniões entre os mesários, pois a tônica era meter de maneira unissonante o cacete –das velhas às novas gerações– nos governadores, portanto, sem exceção, sem exceção.  E com tamanha eloquência que botava qualquer excelência política de Brasília no chinelo! Na questão interna projetos de resgatar o Trenzinho (lembra daquele símbolo da época áurea do cacau que foi parar no quintal do Detran?), o Museus do Cacau –entre outras preciosas páginas dilaceradas da história com a aquiescência das autoridades locais–, eram defendidos com empolgação e na ponta da língua por alguns nas mesas deste espaço etílico.

Mas, então, por que silenciou? Silenciou porque recentemente José Pereira da Silva – Zequito como era conhecido–, o proprietário, saiu desse nosso plano terráqueo.  E com isso suas veementes intervenções nas conversas polêmicas dos assíduos clientes cessaram, cessaram suas pilherias cheias, no bom sentido, de picardia. Basta citar para se ter uma ideia, que o desavisado que adentrasse o recinto e de cara se deparasse com aquele burburinho envolvendo possessor e freguesia, numa altercação sem fim, como acontecia por vezes, dele não se esperaria outra reação senão o espanto. Mas com o decorrer das conversas, amparado pelo aconchego ambiental e por umas e outras na cabeça, o adentrado neófito, percebendo que naquele boteco a liberdade de expressão ao contrário de ser tolhida –como ainda acontece, infelizmente, em nossa Terra Brasilis–, seguia rigorosamente os preceitos democráticos, com entusiasmo acabava assinando o contrato de conversão. Raro o que não se tornava freguês.

Pois é. As provocações de Luís Papa a exemplo da de que Zequito roubara o sino da Igreja do Iguape e o refute “Qualé nada seu Luís, quem roubou o sino da igreja foi você! ”, silenciaram para sempre. Luís Castro de registro e ‘Luís Papa’ para os confrades, é um conhecido religioso juramentado ilheense, um decano e um dos representantes credenciados desta referida e verdadeira ‘confraria zequitiana’.

Este escrevinhador, um componente da velha guarda desta ‘confraria’ não mais poderá saudá-lo na chegada com “Zequito, você parece que é meio chibungo!”, e de bate-pronto com suas improvisadas tiradas ouvir a resposta: “E você Januário, parece que é chibungo inteiro”.

Foi-se um cidadão probo. Ficará a saudade de uma fidelíssima clientela.

Os verbos – uma nota – no passado procedem em razão de não sabermos se irão preserva-lhe a memória, com a permanência do tradicional Bar.

Heckel Januário