Por: J. KLEINEILANDENER

Volto aqui a noticiar alguns fatos daquela conhecida cidade situada na costa ocidental sul-africano, aquela que foi fundada no Século XVI, mas que só veio a progredir depois que encontraram muito ouro nas redondezas, atraindo gente de todo o mundo. Mas as minas se esgotaram e a cidade enfrentou um grande paradeiro, só revertido quando tiveram a brilhante e retardada ideia da manufatura das poucas reservas ainda ali existentes, desse citado precioso metal.

Kleineilanden tem um bom porto, aeroporto, universidade, belas praias, gente decente a circular no seu pequeno centro comercial onde funcionam boas lanchonetes, poucos bancos, muitas lojas de roupas e uma só livraria. Na periferia da cidade estão alguns excelentes restaurantes, pousadas e, quase todo ano, ali realizam um “Festival do Ouro”, quando ourives de fama internacional ali chegam para demonstrar as suas obras de joalheria e suas excelentes técnicas de produção.

Kleineilanden fica na foz de um rio cada dia mais seco pois, os agricultores locais, como quase todos de todo o país, se lixam para a preservação das matas ciliares. É triste constatar o galopante processo de desertificação do local que, até um século atrás, abrigava densas matas com árvores multiseculares.

Em 1875, na outra banda daquele rio, chegou um grupo de pescadores do Norte do litoral, ali construindo uma pequena aldeia de palha. Cinquenta anos depois já existia uma escola municipal, construída na rua que margeia a ribeira. Um engenheiro do Norte marcou as futuras ruas da nova aglomeração, deixando uma área reservada para uma grande praça, onde levantaram uma igreja dedicada a um santo prestigiado na cultura local.

Um dia, um prefeito de bom coração, cortou fora a terça parte desta praça, doando sete lotes a sete amigos, ficando a praça trinta por cento menor.

Em 1988, uma arquiteta húngara, amante dos cavalos, realizou um projeto de renovação da praça, deixando canteiros com árvores, gramados e pavimentando todo o resto da área com pequenos cubos de pedra calcária. Os canteiros das árvores eram de paralelepípedos de granito mas, há poucos anos, fizeram uma “renovação”, trocando os paralelepípedos por tronquetes de eucalipto e, as pedrinha brancas e negras do piso, por um pobre cimentado que começou a se desgastar uma semana logo depois da inauguração.

Cheguemos então ao finalmente desse triste relato: a polícia abandonou a praça, passando, às vezes, dias seguidos sem que apareçam policiais para darem segurança às muitas crianças que insistem em ali brincar. Os pobres seres humanos sem-teto adotaram a praça como sua casa e ali sobrevivem catando latinhas de refrigerantes ou vendendo pequenos pacotinhos com cocadas aos garotos que ali chegam de bicicleta e logo seguem adiante. Como não pagam impostos e tem medo de serem pegos pelo rapa, os cocadeiros locais cavam buracos nos canteiros dos vizinhos da praça, à luz do dia, ali escondendo as suas cocadinhas.

Aff… está um pandemônio impossível, este setor de Kleinenlanden…