Comemoração dos falecidos
A Sagrada Escritura conta que Judas Macabeu mandou a Jerusalém dez mil dracmas de prata para que fossem oferecidos sacrifícios de expiação pelos soldados mortos na guerra. A mesma Escritura louva tal gesto com a famosa expressão: “mandou fazer o sacrifício expiatório pelos falecidos, a fim de que fossem absolvidos de seus pecados” (2Mc 12,46).
São Gregório Magno, em seus Diálogos, narra que, tendo ele mandado celebrar no seu mosteiro de Santo André missas por trinta dias seguidos, em sufrágio do monge Justo, soube depois, pelo irmão do mesmo monge, da revelação de que, após a celebração da última missa, no trigésimo dia, aquela alma, livre de todas as punições, voou para o céu[1].
Santo Agostinho afirma que uma das práticas religiosas mais santas e intenções mais devotas de que uma pessoa deveria se ocupar durante esta vida é oferecer sacrifícios, esmolas e orações pelos falecidos que estão no purgatório, dos quais somos irmãos[2].
A oração, sobretudo, é a chave para abrir a porta sublime do paraíso, não só para nós, mas também para o nosso próximo. Rezemos, pois, e supliquemos pelas almas do purgatório. Rezar não requer muito gasto de energia. Pode-se rezar em qualquer lugar, tempo e circunstância. Desde já, poderemos receber tantos bens espirituais! É este, de fato, um excelente ato de caridade e misericórdia. Poderemos, até, obter significativos bens temporais.
Com certeza, jamais seremos abandonados em nossas necessidades ou esquecidos em nossas súplicas e aspirações, pois, por meio dessa caridade a favor dos irmãos falecidos, seremos recompensados com o que Deus prometeu: “todas as vezes que fizestes isto a um desses pequeninos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40)[3].
A Gramática de Pe. Gaspar, p. 405
[1] S. Gregório Magno, Diálogos, L. IV, c. 55; PL 77, p. 420s.
[2] S. Agostinho, Sermão CLXXII, 2; PL 38, 936.
[3] Pregação à juventude, n. 31: as almas do purgatório, MS 1139-1149; PVC, p. 196-9.



























































