E não é que Jânio Natal e seu irmão Janival, eleitos respectivos prefeito e vice-prefeito de Belmonte resolveram desenterrar a “cabeça de burro”!  Pois é, quando se trata da construção da estrada Belmonte a Canavieiras, é com a humorada tirada que nos limites desses territórios “tem uma cabeça de burro enterrada” que o belmontense, desiludido com as inúmeras tentativas fracassadas, vê a questão. Mas a dupla antes mesmo do jogo começar, chutou a crendice pro lado e, determinada –intermediada pelo Deputado Federal João Bacelar– partiu célere para o Governo do Estado e: Governador, nossa cidade necessita melhorar a Saúde, a Segurança Pública, reparar a buraqueira da BA-001, fazer isso, aquilo, mas uma necessidade premente é a ligação rodoviária a Canavieiras. Sabe por que Governador? Porque não só dinamizará a economia dos dois municípios, mas a de toda a Região Sul, ao conectar os polos turísticos da Costa do Cacau e Costa do Descobrimento, estanques ainda, Governador, em pleno século XXI. E o senhor bem entende: estrada significa progresso e condicionante na geração de meios para a solução de problemas sociais.

Antigo sonho de belmontenses e canavieirenses, a realização dessa rodovia a tirar pelos ocorridos tem realmente tudo a ver com o irreverente ditado. Nas tentativas iniciadas há mais de vinte cinco anos vários parlamentares, prefeitos, vereadores, associações –a exemplo da Acsulb (de edis) congregando num dado momento 40 Câmaras–, sindicatos, clubes de serviços da comunidade regional estiveram envolvidos com moções e abaixo-assinados. E as licitações, estudos ambientais, traçados e o escambau que dariam, tamanha as repetições, para encher uma caçamba? E se diga: governantes de ACM a Jaques Wagner prometeram em praça pública com entusiasmo realiza-la, mas as sucessivas promessas esbarravam sem exceção na desculpa meio esfarrapada de uma obra onerosa. Ademais acrescente-se a esses documentos acumulados, os de iniciativas locais como a de um mutirão de fazendeiros a partir de Canavieiras; outra que ficara conhecida como “Estrada Ecológica”; e uma mais recente sob responsabilidade do Derba originada de Belmonte, todas pararam depois de consideráveis quilômetros construídos.

Para este escrevinhador que trilhou com linhas de esperanças e de decepções os percursos desses inacabados caminhos e de outros tantos prometidos, o entrave sempre ficou por conta do descompromisso político dos chefes do Poder Executivo da Bahia. Nas rodas de amigos aqui na Capitania dos Ilhéus se o assunto se prende a este elo, as opiniões são unissonantes: depende de um governante estadual macho e de palavra. Traduzindo para o bom nordestino: de um que tenha “aquilo roxo”.

As ações do gestor belmontense –agora com a experiência de seis mandatos legislativos (correspondentes ao de  vereador, deputado estadual e federal) e a entrar no quarto executivo– parecem objetivar gols de placa nas tabelinhas com o mano estreante, haja vista na oportunidade com o mandatário do Estado, não titubear em contatar também os secretários de Desenvolvimento Econômico e de Recursos Hídricos: Com este tratara do estender o sistema de abastecimento de água e esgotamento sanitários a outras localidades além da sede municipal, com aquele, demonstrando perspicácia, o papo rolado foi o da areia que “vale ouro” em Santa Maria Eterna, ou seja, o do depósito de areia silicosa que este distrito belmontense possui. Para se ter uma ideia os especialistas especificam como de alta pureza e é, como registra o geólogo Rafael Avena, diretor técnico da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) em recente artigo publicado:matéria prima fundamental, entre outros, para a viabilização do Programa de Energia Solar”. Além de ser prospectada como umas das maiores reservas do mundo.

Como a torcida organizada aponta que a Veracel Celulose vem, conforme o brado rouco das ruas, jogando mal na contrapartida em termos de benefícios para o município, sugere-se que ela vista de fato a camisa do time e comece a atuar direitinho. E como o Governador garantiu tocar a bola de primeira no meio-de-campo e apoiar nas investidas, aí é só mandar a cabeça do mamífero “pros quintos dos infernos’ e correr pra galera. Ah, sim, a certa altura do campeonato se fará necessário driblar um adversário perigoso e retranqueiro:  a PEC-241, conhecido pela maliciosidade entre outras alcunhas, como “PEC da Maldade” e do “Atraso”. Em tempo: as deduções quanto ao encontro do chefe municipal com o estadual e secretarias citadas foram tiradas de matérias publicadas no site jornaldebelmonte.com em 23 e 31 de outubro do corrente ano.

Heckel Januário