EXPERIENCIA NO JAPAN INTERNATIONAL COOPERATION AGENCY – JICA
No ano de 1987 tomei conhecimento da existência do programa acolhido pelo Ministério da Indústria e Comércio do Governo Japonês – Japan International Cooperation Association – JICA.
Busquei informações no Consulado do Japão do Recife que mandou-me prospectos sobre o citado programa, seus cursos e formulários para a seleção a uma possível adesão. Iniciava então a minha experiencia didática no Centro de Ensino Tecnológico da Universidade do Estado da Bahia, no seu Curso de Desenho Industrial onde, apesar de haver sido selecionado para o trabalho com História da Arte, ministrava aulas de Desenho Técnico e Projeto Industrial. Um dos cursos oferecidos pela JICA, naquele ano, fora o “Industrial Design Training” -Treinamento em Desenho Industrial, com aulas teóricas e visitas a escritórios de projeto, na capital, Tóquio, além de visitas a outras cidades, incluindo Yokoama, Kawasaki, Nagóia e Kioto -.
A imensa vontade de ser escolhido para aquele programa me gerou forças descomunais para organizar e argumentar o meu pleito. Antes mesmo da chegada do positivo resultado, intensifiquei o estudo da língua daquele país, iniciado dez anos antes. Um telefonema do Recife avisou-me a minha aprovação, sendo convocado a seguir a Pernambuco para entrevista com o pessoal do consulado. Saí uma noite de Salvador, lá chegando na metade da manhã seguinte, indo direto ao antigo endereço daquele consulado, no centro da cidade. Ali, todos me acolheram gentilmente e riram de mim, pois viajara com a informal roupa do corpo: tênis, bermuda e camisa esportiva. No almoço, me levaram a um restaurante japonês das vizinhanças, logo retornando a Salvador. Chegou a passagem na classe executiva de um avião gigante da JAL, num compartimento no andar superior do avião para apenas dezesseis passageiros com uma aeromoça exclusiva para aquele setor. Doze horas de vôo e uma escala de três horas, em Los Angeles.
Chegada a Narita, distante talvez setenta km do centro de Tóquio. Estradas com laterais florestadas mas primorosamente cuidadas por jardinagem florestal. Cruzamos o rio Sumida e chegamos à megalópolis. Na “Tokyo Eki” – Estação Tóquio – eu e mais outros brasileiros “kenshuin” (participantes), que conhecera na espera da saída do vôo, de Guarulhos, seguimos à divisa de Hatagaya e Yoyogi Uehara, bairro dos diplomatas estrangeiros, onde fica o TIC – o Tokyo International Center. Também conhecido na cidade como “Gaijin House”, a Casa dos Estrangeiros, o TIC é um soberbo edíficio com dez andares, quarenta apartamentos por andar com uma pequena cozinha em cada extremidade dos corredores, salão de esportes, refeitório, biblioteca, salão de vídeos, cozinha geral e refeitório com café da manhã em dez diferentes cardápios internacionais. A famosa rede hoteleira japonesa New Otani administra o TIC. Ao fundo, descendo uma escarpa, uma floresta nativa com dois lagos naturais com dezenas de “nishiki-goi”, as coloridas carpas japonesas.
Em média, três ou quatro vezes, ao dia, sentia uma espécie de tontura mas logo percebia serem os terremotos ali constantes. Uma única vez este terremoto foi maior, pois acordei sendo embalado no colchão macio que se balançava e pelo barulho das portas dos armários dos quartos vizinhos que sacolejavam.
O programa foi intensíssimo, com cada atividade marcada com os minutos precisos. Muitas, muitas vezes, num só dia, tínhamos de mudar de endereço para as diferentes atividades. Eu, brasileiro, um turco de Ankara, uma mexicana da Capital, uma filipina de Manila, uma egípcia do Cairo e uma tailandesa de Bangkok. Éramos, verdadeiramente, como irmãos, todos se bem querendo sem fronteiras de religião ou cultura.
Fomos a diversas inaugurações de lojas, escritórios, uma reunião anual festiva para centenas de executivos da Toyota. Todas as noites participava das aulas de japonês no TIC, com professoras que se revezavam a cada dia. Em todo o tempo da programação oficial, uma guia nativa nos acompanhava. Não tivesse aqui os compromissos com a família e com o trabalho acadêmico que me liberou, por uma carta de apresentação do Magnifico Reitor no exercício, certamente teria ficado por lá, como os milhares de estrangeiros que conheci e cruzei pelas ruas, vindos de toda parte àquela fabulosa e energética cidade.
A JICA oferece os seus cursos apenas para funcionários públicos de entidades governamentais de países em desenvolvimento.
Guilherme Albagli de Almeida



























































