A celebração conta com conferências, palestras, música e teatro com a proposta de preservar o legado

histórico do Terreiro

Bate-folha_ft-Marisa Vianna

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Em celebração aos seus 100 anos, o Terreiro do Bate Folha (Mata Escura) recebe, nos dias 03 e 04 de dezembro programação que inclui seminário, música, teatro, poesia e exposição fotográfica. A ocasião é para debater e apresentar a história do Terreiro, tendo como ponto crucial, a salvaguarda da religião do culto afro-brasileiro de Nação Congo-Angola (ou apenas Angola) na Bahia. O Centenário é apoiado pela Fundação Pedro Calmon, unidade da SecultBA e sua programação apresenta conferências e palestras com a proposta de preservar o legado histórico dos 100 anos do Terreiro. “Nesta comemoração dos 100 anos do Bate Folha, os baianos é que são presenteados. A programação de palestras e debates não podia ser mais educativa e cultural. Teremos a oportunidade de aprender como esta comunidade venceu a luta pela preservação dos primeiros cultos de matriz africana introduzidos na Bahia, os da nação Congo-Angola”, afirma Jorge Portugal, secretário de Cultura do Estado.

A programação tem inicio às 9h30 com as falas dos zeladores do terreiro Nengua Gaguanssesse, Tata Muguanxi e Tata Kissendu, presidente da Sociedade Beneficente Santa Barbara. A partir das 10h40, Zulu Araújo, diretor Geral da Fundação Pedro Calmon, irá proferir palestra com o tema “Preservação de espaços sagrados: a importância da memória para terreiros de candomblé”. Na ocasião, será oficializado convênio da Fundação com o Terreiro para a construção do Memorial Terreiro Bate Folha, que será assinado, logo em seguida.

“O centenário do Terreiro do Bate Folha simboliza a resistência cidadã e a perseverança das religiões de matrizes africanas. Ele (o Terreiro) é o maior exemplo da capacidade da sabedoria e generosidade que o povo de origem africana tem dedicado e disponibilizado à sociedade Brasileira”, explica Zulu.  Para ele uma das poesias mais emblemáticas reforça o dito. “Cabe como uma luva nesse simbolismo os versos do nosso secretário de Cultura, Jorge Portugal, cantado por Lazzo Matumbi, ‘Apesar de tanto não, somos nós a alegria da cidade'”, finaliza.

A programação segue à tarde com a conferência “Terreiro Bate Folha – espaço de salvaguarda da memória afrodescendente”, com a participação de Yeda Pessoa de Castro e de Ordep Serra, ambas da UFBA. A mediação será feita por Rogério Lima Vidal, da Uneb. Após a conferência, às 16h30, serão feitos os lançamentos comemorativos aos 100 anos do Terreiro Bate Folha. Encerrando o primeiro dia do evento, às 17h, acontecerão as apresentações do Bloco Alvorada e do músico Gerônimo.

Já no domingo (4), as atividades começam com a mesa “Protagonismos das religiões de matriz africana”, às 9h30. Os palestrantes convidados foram Erivaldo Nunes, da UFBA, Camilo Afonso, Adido cultural de Angola, e Tata Tauá, do Terreiro Bate Folha.

A mesa “O candomblé de Angola e sua resistência cultural” será apresentada às 14h com os palestrantes Tata Nzazi, do Terreiro Tumbansé, João Monteiro, do Ilê Ogum Maata, e Carla Nogueira, do Terreiro Bate Folha. A conversa será mediada pelo professor da UFBA, José Roberto Severino.

Após os debates, será apresentado o Recital “Fala Preta”, unindo a Poesia de Landê Onawalê à Música e Teatro das atrizes e cantoras, Denise Correia e Luciana Souza e o musicista, Maurício Lorenço. O Recital é concebido e dirigido pelo ator Jorge Washington. Por fim, encerrando a programação de atividades comemorativas do Terreiro, será realizado o show de encerramento, às 17h30, com apresentação do Maracatu Nação Raízes de Pai Adão.