O BRASIL DAS CUCARACHAS?
Luiz Ferreira da Silva, Eng. Agrônomo e Escritor.
Quando de meu curso em Bogotá (CIAF/Colômbia – ITC/Holanda), um colega argentino, arrogante e que gostava de confrontar seu país com o nosso, enchendo o meu saco, perguntou num intervalo de aula/cafezinho, ao nosso Professor Sombroek (Holandês/ITC), que passara uma temporada na Amazônia pela FAO, o que ele achava do Brasil? Simplesmente respondeu: – “daqui uns anos tosos vocês vão ter que aprender português”. Em poucas palavras, referia-se a pujança do Brasil, no final da década de 60 (Governo Médici).
Hoje, acabo de conhecer o Chile. Nós é que vamos ter que aprender urgentemente o espanhol.
A Cidade de Santiago não tem rival no Brasil. Moderna, limpa, arborizada e sistema viário eficaz. Povo educado que sabe tratar o turista. Emprego para todo o mundo. Custo de vida baixo. Não tem motoqueiros, que é para países, como o nosso, de alto nível de desemprego.
Visitei Cidades limítrofes, logicamente em passant, mas não constatei miséria e dotadas de boa estrutura de estradas.
No meu campo profissional, meu interesse em visitar uma vinícola. Fui à Concha Y Toro. Nunca vi em toda minha vida profissional um sistema de agricultura tão integrado e com efeitos agregados: plantio com alta tecnologia; transformação em vinho de alta qualidade; comercialização e estrutura de divulgação através do turismo in situ.
Para se ter uma ideia, o visitante que paga para conhecer um “dx” da vinícola, defronta-se com uma infraestrutura acolhedora e instrutiva, recebendo informações sobre a qualidade do produto e os cultivares de uva de origem.
A CYT implantou uma área de 68 hectares com 26 tipos de uvas, sob sistema de irrigação por gotejamento, exclusivamente para o turista poder experimentar o sabor de cada uma delas, retirando dos pés. Um show! Eu pensei numa fazenda de cacau e tão logo tirei da cabeça.
Finalizando, quando estudante da ENA (UFRRJ) que abrigava muitos sul-americanos, debochadamente a gente os chamava de “cucarachas”. Vejo agora, que baratas somos nós, invertebrados e sem sangue. No entanto, continuamos arrogantes e sem ver o seu arredor.



























































