Ventos que sopram e carregam a fedentina revelada por operações do tipo Lava Jato, Carne Fraca, Citrus e uma infinidade de outras, atestam, confirmam e carimbam nossa fama secular de País da Malandragem. Esse termo “malandragem” é bem amplo, e vai desde a esperteza e a desonestidade doméstica e corriqueira do dia a dia (que muitos acham normal), até os grandes escândalos e as fartas sangrias de dinheiro público que só aumentam a miséria e o sofrimento da população, sobretudo os mais necessitados. Já pensou, ao longo do tempo, quantos já morreram nos confins desse Brasil por falta de medicamento e alimento, consequente de verbas desviadas em esquemas de falcatruas e corrupção?

A tão entranhada cultura da malandragem me fez lembrar o comercial de cigarro exibido na TV lá pelos anos 70 do século passado, protagonizado pelo ex jogador de futebol da seleção do tri, Gerson, onde ele dizia a frase “Gosto de levar vantagem em tudo, certo?”. Daí nasceu a conhecida “Lei Gerson”, a fictícia lei da esperteza em se levar vantagem de qualquer jeito e das formas mais escabrosas possíveis.
Naquela época, setores mais atentos da sociedade reagiram, a reação repercutiu e o esperto Gerson ficou apagado e sumido por alguns anos. Veio o século XXI, mas a cultura da malandragem continua firme e forte, a ponto do sujeito honesto e digno ainda ser chamado de “otário” como antigamente.
Voltando ao cigarro, lembro bem que entre os anos 50 e 70, esse acessório, então sinônimo de charme e sucesso, era o companheiro inseparável das pessoas (como é hoje o smartphone). Até que isso se reverteu com o passar do tempo e o tal do crivo despencou de herói simpático a vilão assassino, agora rejeitado pela absoluta maioria.
Será que a malandragem sairá de moda um dia… como o cigarro?

Nilson Pessoa