A música fez grande sucesso quando lançada, há mais ou menos 15 anos, mas creio que passou despercebida aos atentos olhos e ouvidos dos organismos de proteção à mulher.

Eu explico. A canção de que falo se chama “Maionese” e fez imenso sucesso na voz da cantora Gilmelândia. Lembro que, à época, tomei um susto ao escutar pela primeira vez e achei aquilo meio esquisito; interpretei como sendo uma história de violência contra a mulher, cuja vítima acabou gostando… e tudo isso cantado por uma mulher, caramba!

Dia desses, essa música foi executada pela mesma cantora num programa de TV, acho que relembrando a carreira, e a mesma impressão negativa que tive há 15 anos voltou, dessa vez em plenos tempos do tão falado empoderamento feminino. Resolvi procurar e ler a letra da música, para desmistificar essa murrinha que eu carregava. Só fez piorar.

Posso estar enganado, posso até ter desaprendido a interpretar textos, mas imagino que Chocolate seja o apelido de um cara reconhecidamente violento, frequentador dum lugar onde tem dança (bar, boate, similares). A garota da história estava interessada nele e transmitiu isso numa troca de olhares. Ele a puxou, já com violência,  para a pista de dança. Inexplicavelmente, talvez alcoolizado, surtou (típico de sujeitos violentos) e começou a espancá-la… Ao que parece, ela gostou.

Leia atentamente e tire suas conclusões:

“Batendo palmas pra baixo e pra cima
o coro levanta e canta e grita
Bate que bate
lá vem o chocolate
Bate, que bate!
Bate, que bate lá vem o chocolate!
No ombro uma tatuagem
camisa desbotada e um bermudão
misterioso ele dançava
e eu de olho nele desde que chegou

De repente o seu olhar nos meus olhos penetrou
Sustentando a olhada, se chegou sem dizer nada
me pegou com suas garras e
pra pista me arrastou

Maionese… ele me bate, bate feito maionese
e o que eu tinha tomado, subiu direto e foi pra cabeça

Maionese… ele me bate, bate feito maionese
nem sei mais como me chamo (e onde eu vivo)
e onde eu vivo já não interessa

Me contaram alguns amigos
que me encontraram ainda dançando tonta e sozinha
sou maionese”.


Nilson Pessoa