Anísio Cruz – janeiro 2018

O dia de ontem amanheceu com um sol soberano, mas a ressaca da noitada de festejos, ainda marcando a face das pessoas. Praias lotadas, e mergulhos nas ondas do novo ano, ajudaram a despertar aqueles que se dispuseram a enfrentar os enormes engarrafamentos do percurso. Aqui, e ali, carros machucados em colisões, evitáveis, ou não, evidenciavam o teor etílico dos seus condutores, em busca do dia ensolarado. Nas barracas, faltaram mesas e sobraram reclamações ao mal atendimento prestado por garçons improvisados, contratados às pressas para a temporada de verão. Tempo de ganhar uma graninha extra, para tapar os buracos no minguado orçamento de todos, depois de um ano de incertezas. Alguns mais apressados, pegaram a estrada rumo aos seus domicílios de origem, tentando escapar das estradas cheias do final da tarde, enquanto outros preferiram gastar todos os minutos, curtindo as delícias dos mares de Ilhéus. Sempre assim.

A natureza pródiga reservou para o “grand finale”, o espetáculo de uma enorme lua a despontar no horizonte, parida pelo oceano contorcido por ondas fortes, a se esparramar nas praias, buscando seu espaço. A primeira lua cheia do ano de 2018, será totalmente cheia no dia de hoje e pouca gente se deu conta de que será uma “super lua” a brilhar no céu, espalhando a sua luminosidade, ofuscando o brilho das estrelas. Noites assim são, por si só, um encantamento para quem se dispuser a desfrutá-las. Aqui em Ilhéus, os luares são sempre especiais, pelos reflexos prateados lançados sobre as águas do mar, e o encantamento transparece nas faces deslumbradas dos turistas e nativos.

Alguns apaixonados por noites assim, postaram as suas fotos, eternizando as lindas imagens proporcionadas por esse fenômeno da lunação. Nelas a lua aparece despida, a elevar-se ao céu, sem nenhum pudor. Em outras, mais pudica, entremeia-se por entre as palmas dos coqueiros que ornam a nossa costa, em lindas poses sensuais, capturada por alguma alma sensível. Ela é sempre encantadora, apaixonante.

“Lua, oh lua, querem te passar prá trás. Lua, oh lua, querem te roubar a paz”, disse o poeta, numa música carnavalesca gravada pela Ângela Maria, tempos atrás. E assim foi, num “pequeno passo para um homem, e um gigantesco passo para a humanidade”, como assegurou o astronauta Neil Armstrong, o primeiro a pisar no nosso satélite. Quantos sonhos acorreram à humanidade, naquele inesquecível dia 20 de julho de 1969… Poucos repetiram os passos daquele homem que lá deixou as marcas das suas pegadas. Anos depois, felizmente, esqueceram da conquista da lua, que permanece lá, brilhando no espaço, como se nada houvesse acontecido.

Voltando aos nossos dias, cuidemos de aproveitar, enquanto podemos, as fases da lua que se exibe majestosa para nós, para todo o sempre. Elas se sucederão, neste mês de janeiro, até que, no dia 31, por estranho capricho do nosso calendário solar, teremos outra lua cheia a brilhar no céu, um “blue moon”, como os americanos chamam a segunda lua de um mesmo mês. Será, com certeza, mais um espetáculo impar a nos encantar, e inspirar poetas e enamorados. “Todos eles, estão errados: a lua é dos namorados” seguiu a música. Que assim seja.