LINHAS CRUZADAS
Guilherme Albagli de Almeida
Duas vezes cometi, se não um pecado mortal ou venial, apenas um pequeno pecadilho, daqueles que não condenam ao fogo do inferno, ao purgatório nem ao limbo.
Duas vezes peguei o telefone, ouvindo longamente duas conversas, em momentos diferentes.
A primeira foi um caso dramático. Um jovem FDP bom de ir ficar com o Rabudo, ameaçando violentamente a sua ex-mulher a tomar o pequeno filho do casal que estava incontrolável, com a separação destes. Ela, mansa, com voz de boa moça sertaneja, quase chorando, pedindo para ele voltar… Não interferi na conversa logo desligando aquele reality show macabro…
O segundo caso, opostamente, foi cômico. Peguei o gancho, ouvindo a voz ansiosa de um jovem noivo dando rodeios e rodeios, falando a mesma coisa sobre os móveis da cozinha do novo ap. Iam se casar e a cozinha não fora concluída. Mas o q ele queria mesmo era ficar na linha com a sua julieta, repetindo sempre a mesma ladainha:
“O armário”…
”A geladeira”…
”O fogão”…
O bicho estava mesmo ansioso,,,
Quando enchi o saco de ouvi-lo, quando ele perguntou a ela:
”O q fazeeeeer, meu amooooor?”,
Respondi, com firmeza:
“Ora contrate um arquiteto, pô…”
O resto do caso, qq um imagina.
Quem levou a pior foi a Dona Sarah, acusada de uma profissão, nem sempre rendosa, q ela nunca teve.


























































