Anísio Cruz – janeiro 2018

O dia 25 de janeiro amanheceu com um novo astral, em todo o país. O placar de 3×0 acontecido no julgamento do “poderoso chefão”, encheu os brasileiros, de norte a sul, de justificadas esperanças de que, finalmente, a arrogância foi vencida pela Justiça. Confesso que fiquei feliz ao assistir a justiça sendo feita, após tantos meses de ansiosa espera. Foi bom assistir às falas dos Desembargadores do TRF4, derrubarem as teses da defesa, deixando às claras os diversos crimes cometidos ao longo da vigência do império da chamada ORCRIM, comandada com mãos de ferro, pelo nove dedos ávidos de poder. E o Brasil festejou, com lágrimas de alegria, numa emocionante manifestação de brasilidade. Ainda somos uma nação verde-amarelo, apesar dos maledicentes.

Os analistas políticos, muitos deles surpresos, debruçam-se agora sobre os meandros das leis que regem o assunto, as possibilidades de recursos, os prazos, e as incertezas dos julgamentos em tribunais superiores, sempre imprevisíveis. Afinal, temos que reconhecer que, em que pesem as evidências, devem ser cumpridos todos os ritos previstos na legislação pertinente, inclusive no Superior Tribunal Eleitoral que, em síntese, definirá a elegibilidade do ex-presidente, ou não, especialmente pela letra da Lei da Ficha Limpa. Muitas são as opiniões, e algumas que, a nós, leigos no assunto, parecem absurdas, e incongruentes, sob o ponto de vista do que nos acostumamos a entender, como certo e errado, herdados do Direito Natural dos romanos. Entendo que há muitas leis, muitas vírgulas, e muitos vazios que permitem interpretações diversas sobre o mesmo fato, a depender das filigranas jurídicas, e principalmente, da interpretação do Juiz. Excesso de tribunais, excesso de prazos, que submetem uma nação inteira, à capacidade financeira de um criminoso, capaz de contratar uma banca composta por muitos advogados, regiamente pagos, sabe-se lá como.

Agora só nos resta esperar a evolução dos fatos, impotentes diante de um grupo político que domina o país, e conseguiu se infiltrar em várias instituições, como igrejas, e universidades, sem falar nos sindicatos, e nos movimentos sociais, quase todos por ele dominado. Eles tiveram muitos anos para se disseminar por essas organizações, por anos, e anos, especialmente nas últimas décadas, quando tiveram em mãos as chaves dos cofres públicos, e as canetas que nomeavam dirigentes, todos compromissados com os objetivos pretendidos. As suas bandeiras, sempre da cor vermelha, trazem estrelas, foices e martelos, símbolos importados de países comunistas, que seguem doutrinando mundo a fora, mesmo quando sabemos que de há muito abandonaram as velhas bandeiras. Abraçando um capitalismo disfarçado, auferem muitos “dólares” capazes de custearem a corrupção dos povos, seduzidos por ídolos de barro, como estamos a assistir aqui mesmo, na América do Sul, que aos poucos sede ao seu domínio nefasto, sob a minha ótica.

Não, minha gente! Lula ainda não irá para a Papuda, como muitos julgavam que aconteceria. Ele continuará com o seu jatinho particular, voando pelos céus do Brasil, destilando ódio entre as pessoas, inocentes úteis aos seus propósitos. O bafo da cachaça que faz parte da sua dieta diária, inebria os que lhe seguem nos seus voos, custeados com recursos de origem “suspeita”, para não ir muito a fundo. E fica a constatação de que, para alguns, o crime vale à pena.