A PROPÓSITO DA SUPER LUA AZUL
Anísio Cruz – janeiro 2018
Hoje, mais uma vez, haverá um intenso brilho no céu, cercado de mistérios, e crendices, que remontam desde a antiguidade. Alguns dos nossos ancestrais, cultuavam o sol, como o seu deus, e há nos museus mundo a fora, a figura do “astro rei” que reverenciavam no passado. Para agradá-lo, rituais e sacrifícios eram praticados, buscando acolhimento para as angústias dos homens primitivos, diante do desconhecido. A lua também tinha o seu lugar de destaque, a ponto de muitos povos do passado, terem medido por ela, a contagem de tempo, até que veio o calendário gregoriano, que estabeleceu o vínculo ao sol, e seu posicionamento diante de certos referenciais, para marcar as datas dos acontecimentos. Algumas civilizações chegaram a possuir calendário próprio, pelo qual preparavam a terra para o plantio, e associavam ao sol e à lua, poderes de interferir nas suas vidas. Os horóscopos e mapas astrológicos, proveem dessas crenças, com ou sem fundamentação real.
Também no mundo moderno, poetas cultivam os encantamentos do luar, inspirando-se para elaborarem os seus versos, declamados com garbo e cantados nas melodiosas canções. E quem nunca olhou para o horizonte, no momento do surgimento do nosso satélite, para não emitir, mesmo que intimamente, exclamações diante da beleza com que se depara? E os enamorados? Ah, os enamorados fazendo juras de amor, tendo por testemunha,as luas que se sucedem no espaço de 28 dias, e regulam as marés, o ciclo menstrual das mulheres, e dos animais. Que extraordinário poder, esse astro encantador, desencadeia no nosso mundo, a ponto de criar uma atmosfera mística, ao se derredor?
O fenômeno de hoje, aguardado pacientemente pelos astrônomos de todo o mundo, vem associado a mais dois outros, cumulativamente. Trata-se da chamada “lua azul”, por ser a segunda lua do mês, e a super lua, pela proximidade com a linha do equador, o que traz consigo ingredientes a mais, para os apaixonados, como eu, que não canso de contemplar o céu claro da lua cheia. Mas há ainda um terceiro fenômeno, este com um apelo maior, qual seja, um eclipse lunar, cuja conjunção com os anteriormente citados, ocorreu há mais de 150 anos, portanto, um privilégio para a nossa geração estar aqui, e agora, para poder presenciá-lo. Isto se (e somente se), o tempo assim permitir, aqui na nossa região, onde a previsão é de chuvas ocasionais durante o dia e à noite, com índice pluviométrico inferior a 10mm.
Nada mais frustrante para quem aguarda um fenômeno de tal magnitude, ter nuvens carregadas a obstacular a visão. Contudo, em que pese tal possibilidade, ficarei aguardando o anoitecer desta quarta-feira, com olhos fixos no horizonte, buscando a chance única de presencia-lo nesta encarnação. Se não conseguir assistir ao transcurso do momento mágico que se avizinha, ainda terei a possibilidade de vê-lo através de vídeos das TVs, ou mesmo, aqueles postado no Yutube por algum internauta curioso, munido da câmara do seu celular, ou câmeras fotográficas e suas poderosas lentes. Segundo informam os observatórios astronômicos, a “lua de sangue” (ou lua vermelha) ocasionada pelo eclipse, somente poderá ser observada, no hemisfério norte, de onde virão as imagens. Resta-nos ainda a possibilidade da super lua azul, bem mais generosa conosco.


























































