Anísio Cruz – abril 2018

As imagens que circularam na grande rede, no dia de ontem, me deixaram estarrecido, e triste, ao mesmo tempo. Um garoto de uns 12, ou 13 anos, mais ou menos, sacaneando com uma funcionária de uma escola pública, talvez uma professora, deixaram expostas as feridas de um sistema educacional falido, sob todos os seus aspectos. Os desafios, as provocações, as palmadas, e toques no corpo da mulher, evidenciam o tipo de situações semelhantes que acontecem Brasil a fora, lamentavelmente. As professoras, e professores, reféns de um sistema permissivo, em que eles não podem ser rigorosos com seus agressores, sob pena de serem acusados, e enquadrados no Estatuto da Criança e do Adolescente, e submetidos a processos punitivos, na área cível, como também administrativamente, com a perda das suas carteiras de docentes, ficando marcados profissionalmente, de forma cruel, para todo o restante da sua vida profissional. Não se pode ignorar, também, as agressões físicas perpetradas por pais, ou responsáveis, quando providências mais rígidas são tomadas.

Paralelamente, o critério adotado, de não haver reprovações para os maus alunos indisciplinados, e de péssimos aproveitamentos escolares, que além de tudo, perseguem aqueles que possuem uma maior aplicação nos seus estudos, demonstrando cabalmente que, a célula adoecida, como no câncer, espalha-se por todo o organismo, comprometendo, perigosamente, o futuro das nossas crianças, se algo não for feito. Aliás, esse quadro doentio, é o reflexo de uma política equivocada, que de há muito foi sendo articulada nos frios gabinetes governamentais, mascarando números estatísticos, e apresentando uma eficiência que, todos sabemos, jamais aconteceu nos últimos anos. Lembro-me, muito bem, de uma enganosa publicidade dos números do IDE, em que uma moça bem falante e bonita, subia elegantemente uma escada, em cujos degraus eram assentados números percentuais animadores, como se tudo estivesse maravilhosamente bem. Propaganda enganosa, bem sabemos, e as provas aí estão, nas redações do ENEM, e nas universidades para onde são levados pelas quotas, onde os baixos rendimentos são a tônica. E fico a me perguntar, que tipo de profissionais estarão atuando no mercado de trabalho, multiplicando as suas dificuldades pessoais, e atingindo a todos, indistintamente? Serão eles que, além de tudo, estarão cuidando da nossa saúde, construindo edifícios, cuidando da aplicação das leis, e sobretudo, da formação de novos indivíduos geração após geração.

Sei de muita gente traumatizadas, em função de situações semelhantes, abandonam o magistério, e vão cuidar de reconstruir seus caminhos, em outras atividades. Eu próprio, que durante pouco tempo lecionei Desenho Arquitetônico, numa escola particular, aqui em Ilhéus, entreguei a caderneta na Diretoria, ao presenciar um aluno chutando o seu colega, em plena aula, sem respeitar a minha presença. Foram encaminhados à Diretoria, e instantes depois retornaram, em companhia do Diretor, que asseverou que estava tudo certo, e que eles (os alunos) não mais fariam aquilo. Não sei que tipo de pessoas eles são, nos dias de hoje, pois nem lembro mais quem são, ao contrário dos demais que nunca me faltaram ao respeito, muitos dos quais são meus amigos, até os dias de hoje. Espero que tenham refletido acerca da sua atitude, após a conversa com o Diretor, e que tenham se tornado pessoas “do bem”, e assumido as suas posições de convivência social. E no futuro, como será?