Anísio Cruz – abril 2018

Ali, sentado naquela velha praça,

Sentia a brisa do mar batendo na face,

Olhando as ondas serenas

Espraiando-se preguiçosas nas areias.

Lembro do cheiro do acarajé, pairando no ar,

E das moças bonitas desfilarem faceiras,

E de lançar a elas olhares  furtivos,

Até criar coragem e acercá-las,

E quase perdendo a fala,

Pedi-las em namoro…

Tempos primaveris da minha vida…

Como era bom, passear de mãos dadas,

Sob o olhar compreensivo do poeta,

Trocando doces beijinhos,

Sem nem pensar no amanhã…

Hoje, os cheiros não são mais os mesmos,

As mocinhas já são outras, mais travessas,

E até a praça perdeu-se no vir a ser cruel.

Quanto tempo já passou? Não sei.

Lembro-me apenas que esperei desolado,

Aquela moça bonita, cheia de vida,

 Que me deixou na velha praça, sentado,

Partiu zombeteira, e nem para trás olhou.