Edivaldo Pinheiro Negrão em : DECOLORES
Renovar é preciso.
Eduardo é um jovem de 24 anos. De espírito questionador, empreededor e mente muito pródiga em querer saber o “porquê” das coisas, sem se ater ao senso comum, caminha pela vida com os pés no chão, e certo do lugar que ocupa neste mundo de todos nós. Neste mundo de diversidades e ambivalências. Neste mundo das incoerências, da mesmice, do falso altruísmo, dos juízos moralizadores, do falar muito e do pouco praticar. Neste mundo onde a filantropia não passa de um faz de conta de que realmente nos importamos com outro, ainda que seja só em dias especiais, quando na verdade estamos apenas representando um papel social sem muita consistência ou sustentação, oferecendo aos pobres, mas pobreza ainda, através de agasalhos, sapatos, cobertores e vários artefatos, quase sempre usados. E chamamos isso de amor ao próximo, quando dou a eles o que não me serve mais. Bom seria tratar os outros, como gostariamos de ser tratados, mas…
Mas voltando ao Eduardo, um dia desses ele ganhou uma TV de 48 polegadas, substituindo a antiga de 32 polegadas que estava rachada. Depois de receber o presente e fixado-a na parede ele disse: “Interessante, a gente tem a tendência de, sempre que algo novo acontece em nossa vida, sentir a vontade de renovar o que está em nossa volta. É como se a novidade, nos fizesse olhar em volta e ver o que precisa ser renovado, numa tentativa de substituir o antigo pelo novo. Agora preciso comprar um colchão novo para a minha cama”.
“Quando viajamos para fora de nosso pais ou mesmo do lugar onde moramos, o contato com cultura e modos de viver diferente e com pessoas de diversas parte do mundo, voltamos renovados e desejamos viajar mais vezes, saindo do lugar comum para singrar novos rumos e, assim renovar a nossa visão de mundo e também de nós mesmos”, disse para ele.
Compartilhei com ele que quando mudei para a casa onde moro atualmente, em face a casa e ao que ela me propiciava, comprei uma mesa para a mini – sala do andar térreo, depois, para meu quarto, comprei um puff redondo para ler meus livros.
A nova casa, o novo ambiente, motivou-me a fazer essas compras. Foram alguns dos sintomas da renovação.
Por que você não escreve sobre isso? Gostei da ideia, e é o que faço neste texto.
Se uma televisão ganha de presente, ou a mudança de casa, serviram de estímulos para se pensar em renovação, o que aconteceria se aprendessemos a renovar nossas mentes, principalmente porque o que pensamos, é o responsável pelo que sentimos e o que sentimos é o responsável pelo que fazemos.
Dessa forma podemos afirmar que pensamentos afetam sentimentos, sentimentos afetam comportamentos.
Assim sendo, se quisermos saber porque fizemos determinadas coisas é só procurar saber o que estavamos sentindo. E se quisermos saber o que estávamos sentindo é só procurar saber o que estávamos pensando.
Romanos 12.2 diz: “..e não vos coformeis com este séculos, mas transformai-vos pela renovação de vossa mente….”.
A própria palavra RENOVAÇÃO é grafada como se fosse um imperativo RENOVAR+AÇÂO. Renovar uma ação. Fazer diferente. Fazer algo novo. Fazer o que nunca se fez, mas que sempre teve vontade de fazer.
Renovar nossas mentes, subsituindo padrões mórbidos de pensamentos pela criação de padrões novos para que experimentemos a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus”, segundo Romanos 12.2, texto final, que é viver uma vida abundante – aquela vida que se renova a cada dia, com novos propósitos, novos desafios, mas acima de tudo, uma vida cheia de autocompaixão para que, vivendo em paz consigo mesmo, possamos brilhar nas vidas dos outros por onde passarmos.
Hoje, mais do que nunca, mesmo com tantos meios de comunicação, a depressão virou a doença do século. Dessa forma, se eu mesmo não tenho paz, como posso ajudar outros a encontrá-la.
Sri Ramana Maharashi foi considerado o grande representante da sabedoria milenar da Índia no século XX. Certa vez lhe perguntaram: “Como deveríamos tratar aos outros?”, e ele respondeu: “Não existem outros.”
Forte, não é mesmo? Mas com frequência, somos nossa própria “pessoa difícil. Somos o outro”. Queremos tratar os outros bem, quando estamos maltratando a nós mesmos.
Renovar a relação que temos conosco mesmo é uma necessidade premente, caso contrário vamos passar a vida toda, dependendo das beneces alheia.
De fato, é complicado sermos generosos conosco numa cultura de competição, individualismo e fragmentação. E mesmo quando escolhemos sermos empáticos, é necessário respeitar nossos próprios limites para não fadigar. E a única forma de ampliar nossos limites é aprender a abrir nossos corações conosco. Por isso precisamos renovar a visão distorcida que, porventura tenhamos de nós mesmos.
Ações diferentes, vivências diferentes, lugares diferentes, pessoas diferentes, fazer coisas diferentes, isso tudo nos leva à conclusão de que…
….Renovar é preciso.
Aracaju, 29 de abril de 2018
Edivaldo Pinheiro Negrão – Psicólogo Clínico


























































