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AGORA É COM VOCÊS

Anísio Cruz – maio 2018

É impressionante como temos técnicos das mais diversas especialidades, aqui na nossa cidade. Leio com frequência, comentários acerca de problemas de trânsito, de urbanismo, de licenciamento ambiental, enfim, todos entendem de tudo, e postam comentários que, se levados em conta, colocariam a nossa cidade dentre as mais desenvolvidas do mundo. Mas, se atentarmos direitinho, encontraremos opiniões divergentes, como aliás, em tudo na vida, e se os administradores de plantão considerarem-nas, de per si, passarão a gestão inteira, fazendo, e desmanchando de acordo com as marés opinativas.

Acho importante que se discuta assuntos da mais alta relevância, para que se encontre um denominador comum, satisfazendo a maioria. Claro que os demais terão que se sujeitar, mesmo que amanhã, ou depois, possam criticar, sobejamente, os equívocos, muitos dos quais de grande repercussão no quotidianos de todos, sem que se possa voltar atrás. Cito o exemplo da nova ponte, por exemplo, cuja localização contraria grande parte da população, enquanto outros, e nem sempre a maioria, considera que é melhor que seja feita em qualquer lugar, que jamais construída.

Pessoalmente, considero a sua localização, inadequada, e que fará com que o velho centro, receba um fluxo de veículos muito superior à sua capacidade, pela existência de muitas ruas estreitas, fruto de uma cidade que cresceu espontaneamente, ao logo dos séculos registrados na sua longa história. Como seria possível prever o uso de automóveis, como acontece nos últimos tempos, se somente nos últimos 60 anos, mais ou menos, surgiram as primeiras montadoras? Como cobrar dos precursores que soubessem de antemão, que as vias receberiam pesados veículos de 40, 50 toneladas, se eles nem sequer existiam, e hoje danificam o pavimento, arrebentando manilhas de drenagem pluvial, inapropriadas para receberem tal peso? Como supor que a pacata zona sul, se transformaria a ponto de superar o velho centro, em número de habitantes, como ocorre presentemente? Difícil prever que há 10, 15 anos, carretas enormes transportassem grãos do oeste baiano, para o nosso Porto Internacional de Ilhéus, que antes atendia apenas à exportação de cacau, e seus derivados.

Voltando à localização da nova ponte, imediatista, e bastante festejada por um bom número de ilheenses, nativos, ou não, creio que é irreversível, mesmo que errada. Se me fosse dado o direito de opinar, ela seria construída entre os bairros Teotônio Vilela, e Nelson Costa, com pequenas cirurgias urbanas, para adequá-la à malha existente, além de aterros intercalados por pontilhões, para a transposição dos manguezais, com a grande vantagem de se desviar o tráfego demandando a Itabuna, e cercanias, aliviando o velho centro. Outro grande benefício, sob a minha ótica, é a preservação da exuberante paisagem que se descortina do Pontal, mirando-se o centro, e vice-versa. O morro de Pernambuco, queiramos, ou não, é um patrimônio visual, que perpassou várias gerações, e que será parcialmente obstruído, mesmo que muitos digam o contrário. Alguns dirão: e daí? O importante é que a ponte desafogará o tráfego da Lomanto Jr. e da praça Cairu, onde ocorrem frequentes engarrafamentos. Simples assim. E vamos construindo pontes, para aliviar os mais diversos problemas no trânsito, ou

portos, como foi o caso do nosso famoso porto, provocando o assoreamento, e outros danos ambientais, absolutamente irreversíveis. Será que não poderia ser feito com os necessários cuidados, e estudos aprimorados, como é devido em obras dessa natureza?

É preciso que entendamos que são necessários exames técnicos aprofundados, com ensaios em laboratórios de excelência, onde consultores possam opinar, soberanamente, antes que certas decisões sejam tomadas, irremediavelmente. Cresci ouvindo um velho adágio popular, que assegura que “o apressado come cru”. Tudo bem, comer cru, até que é um costume de alguns povos, que estão chegando à nossa dieta, com um número crescente de adeptos. Mas, nos casos em questão, a natureza já deu a resposta, com muita severidade, como nos efeitos da construção do Porto.

A propósito, ainda persistem na ideia de se construir o Porto Sul no nosso litoral norte, sem levar em conta muitas condicionantes importantes, como a Corrente Norte-Sul, por exemplo, sobre a qual já fiz referência, num passado recente. Como naquela ocasião, muitos dirão que sou contra o desenvolvimento da cidade, e da região, desconhecendo o meu passado profissional, como servidor público, num órgão de fomento, como é o caso da SUDIC, onde servi por longos 32 anos, aqui, e em outros municípios do nosso estado. Eu fiz a minha parte. Agora é com vocês.

2 respostas para “AGORA É COM VOCÊS”

  • Alan Dick Megi says:

    Há alguns anos fiz um esboço de localização da nova ponte,levando em consideração as proposições que eram colocadas pela sociedade nos meios de comunicação, dentre elas essa que você sugere entre o Teotônio Vilela e Nelson Costa ou Urbis. (Hernani Sá). Após análise das alternativas desenhadas na planta da cidade, cheguei à conclusão que a melhor alternativa era aquela indicada no PLAMI (Plano Diretor de 1969), ou seja na localização que está sendo construída hoje. Vou localizar o estudo nos meus alfarrábios e lhe mostro quando, e se você quiser. Abraço.

  • Anísio Cruz says:

    Caro Alan Dick Megi, reconheço a tua capacidade, e formação técnica, como Arquiteto Urbanista, inclusive por termos trabalhado juntoe, em épocas passadas. Tenho certeza de que o estudo foi feito com a seriedade que o problema merece. Reconheço também que, qualquer que seja o rumo de uma possível conversa, não lograremos fazer voltar o tempo, para que os propósitos sejam conciliados. Agora é tarde, e o mal ambiental já foi perpetrado, sem meios de termos de volta a nossa paisagem natural. É que estamos nos acostumando a buscar soluções para “andarmos de carro”, e somente olharmos o fundilho daquele que está à nossa frente, e nem nos damos conta do que está ficando atrás, ou ao lado, por mais exuberante que seja. O futuro está próximo. Mas eu tenho certeza de que não era aquela “coisa” que estão fazendo, que gostaria de deixar como legado aos meus netos e bisnetos, indefinidamente. Abraço.

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