PARA HAVER SENTIDO
A campanha do presidente eleito, Jair Bolsonaro embora com a inseparável presença marcante do economista Paulo Guedes, tido como um ultraliberal de carteirinha (o “Posto Ipiranga” como o identifica para assuntos econômicos o ganhador da disputa), ela se fez mais enfática no combate à violência, ao crime organizado e à corrupção, não deixando muito clara a juízo deste escrevinhador, a política econômica a ser adotada. No entanto, vinculando-me a esta política, a cadeira do referido economista ao ser colocada na arrumação da casa numa das cabeceiras da mesa e a do deputado Onyx Lorenzoni, outro liberal e conhecido pela sua determinação na criminalização do Caixa Dois nas CPI(s) do Congresso, numa outra, indicam proposições neoliberais –significando, como preceitua o neoliberalismo, privatizações em massa, ajuste fiscal, nada de protecionismo econômico e elevação de impostos e tributos etc., etc., enfim, diminuir drasticamente o Estado na economia.
Porém às propostas do Posto Ipiranga de passar para o setor privado o Banco do Brasil e a Caixa Econômica como primeiro prato a ser servido e de cara ‘riscado do cardápio’ pelo gerente do estabelecimento, revela uma certa contradição na preparação.
Tal poda, comenta-se, pode ter a ver com o histórico de estatista de sua excelência. Seus votos –fora deputado federal por quase três décadas consecutivas– contrários às vendas das empresas Vale do Rio Doce em 1997 e Telebrás em 1998 são exemplos emblemáticos. Acerca de sua oposta posição em torrar nos cobres os bens da coletividade muito se foi e se é comentado o jocoso episódio em que o parlamentar promete ‘apagar’ FHC, então mandatário da Republica, por levar a cabo seu plano privatizante. Essas privatizações, vale recordar, ainda que tenham, com referência às telecomunicações, beneficiando de algum modo a vida de milhares de brasileiros no boom dos celulares, na transação –está registrado nos autos da imprensa– houve maracutaia da grossa, resultando em consequência a queda de ministros e autoridades envolvidas; quanto ao negócio com a multinacional mineradora o que se tem é que houve uma verdadeira ‘doação’ do patrimônio público.
Os meios de comunicação expõem que dentro do projeto do homem forte da economia consta a venda de todas as estatais e imóveis da União (é verdade que abundam modernos e suntuosos prédios governamentais pelos quatro cantos do país –e o salário oh! Lembra o caro ledor de Chico Anísio comprimindo o polegar e o indicador?), com o argumento de fazer caixa para frear a progressão da dívida pública, e calcula na empreitada arrecadar –cálculo questionado por bom número de especialistas– cerca de 2 trilhões de reais. Em FHC o afã de privatizar tinha igual objetivo, levantar recursos para arrefecer o débito, mas o que se viu, foi em 6 anos –dados de breve busca na internet– a dívida mais que triplicar ao passar de 78 bilhões de dólares em 1996 para 245 bilhões em 2002.
Como houve outra rasteira antecipada na pretensão do Posto Ipiranga de voltar a famosa CPMF –contradizendo até os ditames de sua cartilha neoliberal que proíbe radicalmente o aumento de tributos –, fica a dúvida, envolvidos os assentados –de técnicos e probos como já exaltara o Chefe de Estado em
pronunciamento– em controversos sim, sim, não, não, quais realmente serão as ações governamentais da nova gestão presidencial. Como as provas estão a mostrar que o estabelecimento não usa o serviço a lá carte, e que seu representante-maior se diz antissistema, a exemplo de abominar um governo de coalizão –aquele que os cargos são ajeitados para os partidos coalizados, tendo estes desta forma o poder de decisão na administração–, vamos aguardar. Além disso há registros que nas extremidades da mesa foram abertas brechas para inclusão de mais assentos –um já é do vice-presidente– dos militares, alguns tidos como ferrenhos nacionalistas, outros nem tanto.
Como, para haver sentido se faz imprescindível que os poderes da República (Judiciário, Legislativo e Executivo) aqui, claro, falando do nível federal estejam em função do desenvolvimento social, espera-se –num momento em que no território chamado Brasil o avanço no ranque mundial da desigualdade social e econômica é patente e o desemprego ganha as alturas–, que o staff-governamental-executivo, à frente o seu comandante, ao exercitar o mandato à vera, o faça democraticamente tendo em vista as múltiplas carências dos 200 milhões(como o Chefe de Governo chegou a expor em recente declaração) e lá vai fumaça de brasileiros. Óbvio, aí incluso os do candidato vencedor, os do perdedor, os que não estiveram, apesar da insistente convocação da Justiça Eleitora, nem aí para as urnas, incapazes, crianças e outros nem tanto carentes.
Heckel Januário


























































