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PARA ONDE VAI A CEPLAC?

Luiz Ferreira da Silva, 82

Pesquisador aposentado e ex-diretor do CEPEC

luizferreira1937@gmail.com

E pensar que um Organização que já fora modelo e até reverenciada pela EMBRAPA e pelo IICA, ademais de ter sido elogiada pelo Presidente Geisel – “Feliz do Brasil se tivesse muitas CEPLACs no Brasil!” – esteja vagando à deriva e não se sabe o que fazer dela, como fosse um estorvo para o Ministério da Agricultura?!

Muitas conjecturas estão sendo discutidas sobre o seu futuro, desde ser pareada com a UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus, BA), reduzida ao CEPEC com o reforço da Extensão ou “doada” à Embrapa, que apenas absorveria a pesquisa.

Recentemente, essa última alternativa voltou à baila, agora com o argumento que aquele modelo da CEPLAC – Pesquisa, Ensino, Extensão e Apoio ao Desenvolvimento – estava esgotado e só existia na cabeça de saudosistas.

Isso não é verdade, pois a integração desse cavalete operacional proporciona o real desenvolvimento de uma região, mercê da integração das partes de modo sistêmico no uso racional dos recursos da terra.

Simplesmente transformar uma organização de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) em um Centro de Produto da EMBRAPA, pode até ser uma solução emergencial ante ao debacle institucional em que se encontra e falta de recursos, mas nunca como uma solução inteligente, mas naquela de se perder os anéis, para salvar os dedos. Uma solução, pois, de viés puramente economicista, considerando o atual caos do país, quebrado e com poucas perspectivas de retornar, a curto prazo, ao grau desenvolvimentista de anos pretéritos. E, jamais, que o cavalete institucional – esteja superado!

Recorro, para me justificar, ao Projeto americano, o “Land Grant College”, implantado pelo Presidente Roosevelt, em 1930, voltado ao desenvolvimento de uma região pobre, cujas ações perduram até hoje (TVA – Tenesee Valley Authority). E continua produzindo frutos a exemplo da fundação de uma Universidade Regional.

E inclusive, o CEPEC vai se apequenar com tal absorção, pois é mais complexo que as unidades de pesquisa da EMBRAPA, por ser um misto de produto e recursos, dispondo de uma rede experimental que atende ao cacau, aos cultivos diversificados e aos recursos naturais, haja vista os diversos estudos procedidos na Mata Atlântica Sul baiana (Pedologia, Fitogeografia, Geologia, Clima, Botânica, Hidrologia, Fotogrametria), tornando-a ímpar em matéria do conhecimento integrado de sua fisiografia.

É lógico que o modelo tem que ser revisado. O momento é bem diferente da década de 60, sobretudo em relação do boom tecnológico nas diversas áreas do conhecimento.

Neste contexto, a Extensão Rural, considerando o avanço da tecnologia agropecuária de precisão pari passu ao uso da TI (Tecnologia da Informação), teria que ser revista, pois sua estrutura é pesada e custosa.

Em 06 de janeiro de 1980, o Sistema Globo de Televisão lançou o Globo Rural, revolucionando a difusão de tecnologia no meio rural, constituindo-se no marco nesta nova visão de se interagir com os produtores agropecuários.

Nestes 36 anos, surgiram canais específicos e técnicas de comunicação foram desenvolvidas pari passu à TI (Tecnologia da Informação), eivada de aplicativos cibernéticos e mão-de-obra especializada em ciência da computação.

Estão aí os meios de informação e aprendizagem, notadamente canais de Tv e a Internet, sociabilizando ensinamentos de forma massificada. Neste particular, recorro à minha esposa, Airma, no nosso início matrimonial, recém-chegada à Itabuna, junho de 1964. Imediatamente se matriculou num curso de culinária, quando hoje é só ligar a TV e dispor de aulas com riqueza de detalhes.

Com base nesse raciocínio, pois nunca fui extensionista, e parando para pensar, provoco esta nova maneira de se levar a informação ao agricultor, não mais no “corpo-a-corpo” como dantes, no qual surge a figura de um outro extensionista, mais especializado em TI do que em Fitotecnia, diferentemente de outrora.

E para finalizar permitam-me esclarecer, como da velha guarda ceplaqueana – “socio fundador do CEPEC/1963” -, que a minha defesa do modelo da CEPLAC, nada tem de saudosismo, mas fundamentado em visão holística da utilização integrada dos recursos naturais, com o Homem em seu epicentro. (Maceió, AL, 30 de março de 2.019).

4 respostas para “PARA ONDE VAI A CEPLAC?”

  • Heckel Januário says:

    Acredito que se o Brasil não estivesse vivendo uma estagnação econômica – e por tabela social – a volta do “cavalete institucional”, como designa o modelo Ceplac de outrora, seria de bom alvitre, pois esta instituição, apesar dos pesares, deixou marcas, e muitas, positivas na região sul da Bahia.
    Vale também, neste momento de revolução tecnológica mundial, apostar também numa, vamos dizer assim, extensão rural tecnológica, usando a tecnologia da informação(TI). A ideia é salutar.
    O texto merece os aplausos

  • Luizferreira says:

    É isso aí. Não podemos eroder o bonde da tecnologia ao nosso favor. Obrigado e um abraço.

  • heraldo surf says:

    BELELEU..

  • Luizferreira says:

    Não posso responder porque não entendi. Desculpe-me.

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