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DO REVERTÉRIO AO “REVORTEIO”:

A RETOMANDO DA CACAUICULTURA RONDONIENSE.

Luiz Ferreira da Silva, 84

Ex-Diretor da CEPLAC/Amazônia, 1982-1985.

luizferreira1937@gmail.com

(Grupo de pequenos agricultores, característica da cacauicultura rondoniense, visitando uma área clonal, sob a orientação do técnico Francisco/CEPLAC).

O cacaueiro foi introduzido na Bahia em 1746, com sementes trazidas do Pará pelo colono francês Frederico Warneaux. plantadas por Antônio Dias Ribeiro na Fazenda Cubículo, Canavieiras, BA.

Em 1971, com sementes híbridas trazidas da Bahia, um outro Frederico, mas de sangue tropical – Frederico Monteiro Álvares-Afonso, iniciou o retorno do cacau, plantando-as no Projeto Integrado de Colonização Ouro Preto, do Incra, no hoje Município de Ouro Preto do Oeste, Rondônia.

A agricultura do cacau no berço de origem tem as mais notáveis qualidades ecológicas e humanas. Nenhuma agricultura praticada ao longo das estradas e dos travessões, seja no Pará ou em Rondônia, é tão amazônica, tão ambientalista, tão propiciadora de trabalho e agregação familiar. A árvore do cacau protege o solo evitando a erosão; recupera a fertilidade natural das áreas degradadas, reintegra a fauna ao seu meio natural e proporciona numerosos empregos, além de oferecer a implantação de pequenas agroindústrias.

Foi com essa visão que a CEPLAC, norteado pelo Frederico, implantou um polo cacaueiro, impulsionado pelo PROCACAU (Plano nacional de expansão da cacauicultura), a partir de 1976.

O programa foi exitoso, graças às mãos dadas INCRA-CEPLAC, e o objetivo de fixar o pequeno parceleiro à terra, considerando o valor específico do cacau, capaz de prover a família com 10 hectares de plantio, com a força do trabalho do casal e um filho adulto.

E dessa forma o polo se expandiu ao longo da rodovia BR-364 (Cuiabá/Porto Velho), destacando-se os municípios de Ariquemis, Jarú, Ouro Preto, Jiparaná, Cacoal, Machadino, dentre outros, obedecendo, sobretudo, requerimentos edáficos (qualidade dos solos).

Desgraçadamente, com o desmonte da CEPLAC, a qualidade da assistência técnica prestada aos produtores decaiu. E dessa forma o nível de investimento na condução de suas lavouras reduziu-se drasticamente. Diminuiu a produtividade dos cacauais, aumentaram os ataques das pragas e a incidência da vassoura-de-bruxa. As lavouras passaram a um estado de semiabandono, ocorrendo até mesmo a erradicação de algumas áreas de cacau.

No entanto é chegada a hora de um “revorteio”, depois desse revertério, implantando-se um novo programa de revitalização, independente ou não da CEPLAC que, até então, não tem demonstrado capacidade em atender aos requerimentos das regiões cacaueiras, haja vista o seu esfacelamento e consequente debacle da lavoura do cacau sul baiana.

Urge, pois, o momento de se esboçar um “PROCACAU-2/RO”, visando a recuperação da sua cacauicultura, partindo de baixo para cima, a começar pelos 10 maiores municípios plantadores de cacau, com o compartilhamento dos prefeitos, formando um “pool” de pressão estadual, com a possibilidade, inclusive de angariar recursos internacionais, evocando a importância do cultivo no contexto agroecológico da Amazônia.

Seria estabelecida uma meta decenal de se plantar 50 mil hectares, para a qual o Estado de Rondônia, assim como procedeu o Estado da Bahia, implantaria uma base de produção de mudas seminais e/ou outros materiais clonais; não mais os campos de produção de sementes híbridas de tempos idos. Esta “biofábrica” também produziria, em outra etapa, matérias florestais de interesse ao sistema cacau e outras finalidades conservacionistas.

Como não mais se pode contar com Frederico Afonso, deixo em aberto quem seria o novo timoneiro? (Maceió, AL, 01-05-2 021)

1 resposta para “DO REVERTÉRIO AO “REVORTEIO”:”

  • Parabéns para você, amigo Luiz. É notável sua luta em favor da nossa querida CEPLAC, onde servi por 27 anos, colocando a minha juventude e o meu amadurecimento, a serviço dessa organização. Eu fico pensando se a agricultura de cacau fosse em outra região, como por exemplo, região sul, sudeste ou centro-oeste, a CEPLAC estaria hoje entubada na UTI? Eu posso afirmar que não, pois nessas regiões, existe espírito de corpo para defender aquilo que as faz grande. Onde estão os pseudos líderes políticos das regiões cacaueiras da Bahia, Espírito Santo e da região Amazônica (Pará, graças ao magnífico trabalho da CEPLAC, hoje o maior produtor de cacau do Brasil}, do Amazonas, do Mato Grosso, de Rondônia, do Acre? Como Governadores de Estado, Vereadores, Deputados Estaduais, Federais, e Senadores, deixaram a CEPLAC chegar a este estado de falência, decretado pelos Presidentes da República que por lá passaram e só fizeram degradar um Órgão que colocou o Brasil como 1º Produtor e exportador de Cacau Mundial e hoje, importa o produto, para abastecer a indústria chocolateira brasileira. O que fizeram com a CEPLAC, foi um crime contra as essas regiões. As nossas lideranças regionais, nada fizeram e o caus, tomou conta da economia das regiões cacaueiras da Bahia e do Espírito Santo. A CEPLAC, durante os governos do Regime Militar, esteve no seu apogeu, operando na região sul da Bahia, como um Órgão de Desenvolvimento Regional. Foi nesse período, que a CEPLAC veio para a Amazônia Legal e tornou a região, uma grande produtora de cacau, a exemplo do Estado do Pará. Fica aqui o meu protesto, como um funcionário que cresceu junto com a CEPLAC, pois, àquela época, ela tinha somente cinco anos de criada e eu tinha 19 anos de idade. Éramos uma família, todos se conheciam e tínhamos um relacionamento extraordinário, onde todos pensavam somente em dar o seu melhor. Funcionários do Banco do Brasil e da CEPLAC, eram uma elite na região. Dava orgulho trabalhar ali. Hoje, só dá para pensar, como chegou a CEPLAC a este fim tão degradante, trágico e humilhante. Eu me lembro de quando o Presidente Ernesto Geisel esteve visitando a sede regional da CEPLAC na Bahia, quando lhe foi apresentada programação dos trabalhos da CEPLAC, ele ficou tão impressionado, que falou: ‘O BRASIL PRECISAVA TER UMAS 20 CEPLACS”. hoje, é triste, muito triste!!!!!!!!

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