Estudo ambiental descreve papel de reservatório no fluxo biogeoquímico do rio Paraíba do Sul
Estudar as concentrações e as presenças de elementos terras raras nos ambientes permite saber as concentrações, avaliar o fluxo de transporte fluvial e fazer inferências a respeito do tipo de intervenção humana na região estudada, explica a cientista. Os elementos terras raras apresentam propriedades químicas únicas, e essas peculiaridades fazem deles marcadores úteis para entender os processos que movimentam elementos químicos pelo rio durante o intemperismo, inclusive a redistribuição deles na passagem da fase particulada para a fase dissolvida nos ambientes aquáticos.
Com esses marcadores, conforme o estudo, é possível conduzir pesquisas sobre como elementos químicos estão se comportando ao longo de um rio – uma das justificativas para o estudo foi exatamente o histórico de contaminação das imediações do rio Paraíba do Sul, que em seu curso recebe influxos de resíduos residenciais e industriais, fontes de contaminação em potencial das águas destinadas ao abastecimento da população e à geração de energia hidrelétrica para a região metropolitana do Rio de Janeiro.
Os resultados das análises apontaram para a concentração dos REE no reservatório, com a presença mais significativa dos elementos lantânio, cério e európio. Dentre as inferências feitas pela equipe de cientistas no artigo, a presença anômala de lantânio na amostra coletada em Queluz, mais alta ali em comparação com o percebido nos outros pontos estudados, sugere contaminação antrópica, provavelmente por conta da alta densidade populacional e da atividade industrial próxima. As algas presentes no reservatório tendem a absorver e liberar os REE e apresentam períodos de intensa proliferação, o que é mais um fator de interferência no fluxo dos elementos químicos. “Os dados indicam que o Reservatório do Funil exerce o papel de uma barreira biogeoquímica, modificando o transporte fluvial dos REE associados à fração particulada e dissolvida das águas do trecho do Médio Paraíba do Sul. As algas também exercem influência sobre o comportamento geoquímico dos REE, absorvendo-os e liberando-os para o meio aquático, exatamente como ocorre com muitos metais”, afirma a professora Joanna.


























































