Ace, saque e raquete são palavras que passaram a fazer parte do vocabulário de crianças e adolescentes do bairro da Conquista, em Ilhéus. Duas vezes na semana, 40 jovens da comunidade têm aulas de tênis, graças a um projeto social realizado há 10 anos numa parceria da empresa Daten Tecnologia com o Serviço Social da Indústria (SESI Bahia).

Mais de 800 crianças já foram beneficiadas pelo projeto ao longo desses 10 anos. “Acreditamos na importância dos projetos sociais para apoiar a comunidade local. Com o projeto Daten Tênis nós inserimos essas crianças e adolescentes no universo de um esporte que, até pouco tempo atrás, era considerado de elite. Acreditamos que é possível transformar vidas com esse projeto. Quem sabe daqui pode surgir um novo campeão brasileiro”, ressalta o diretor industrial da Daten Tecnologia, Silvio Comin.

Gerente do SESI na região Sul do estado, Alexandre Régis também destaca a importância do esporte como ferramenta de inclusão social. “Não trazemos apenas a atividade esportiva. Com o projeto, também trabalhamos outros temas, como saúde, relações familiares e ética, por exemplo. Então a nossa expectativa é que o projeto possa transformar a vida desses jovens”, pontuou.

Proprietário da HB Tennis Center, onde as aulas são realizadas, Givanildo Feitosa, conhecido como Ceará, é monitor do projeto e conhece bem o poder transformador do esporte. Nascido em Pernambuco, ele veio para a Bahia aos oito anos de idade. E foi em Jequié, também através de um projeto social, que ele teve contato com o esporte. No começo tentou aulas de futsal, mas como não gostava muito de futebol, foi realizado para as aulas de tênis.

“Após um tempo de aula o projeto acabou e eu continuei indo todos os dias até me tornar boleiro e rebatedor do clube de tênis Calheira Senna. Participei de vários torneios, um deles em Ilhéus, onde conheci minha esposa. Hoje somos sócios de uma academia de tênis e estamos batalhando para fortalecer o esporte em nossa região”, conta.

Para ele, ministrar as aulas do projeto Daten Tênis é também uma forma de retribuir o que o esporte o proporcionou. “A interatividade entre as crianças, a inclusão na sociedade por meio dos treinos, a união entre as pessoas que estão no mesmo ambiente e a possibilidade de diminuir o contato com a violência são alguns dos impactos que percebemos em poucos meses de trabalho”, avalia.

A aula inaugural da décima edição do projeto foi realizada no final do mês de julho com a presença dos responsáveis pelos alunos. “Esse projeto é maravilhoso porque vai dar oportunidade para as minhas netas e para outras crianças da comunidade de Conquista. Agradeço ao SESI e a Daten pela oportunidade”, comentou Sandra Santos Sousa, mãe de um dos participantes.

José Orleans da Silva Cruz, pai do aluno João Paulo, também aprovou a iniciativa. “É o início de uma bela história, ver essa criançada se divertindo, tendo essa oportunidade. Essas crianças aqui não teriam condições de praticar esse esporte, mas graças à Daten e ao SESI esse sonho está se tornando possível”, disse.