:: 9/fev/2024 . 21:12
Brasileiros só começam o ano após o carnaval?
Especialistas destacam estratégias fundamentais para se organizar no retorno “oficial” após a famosa tendência do país.
Após espalharem festividade e confete pelas ruas, é comum observar um fenômeno peculiar no Brasil: muitos brasileiros só começam verdadeiramente o ano após o Carnaval. Essa tradição não apenas se enraizou na cultura, mas também reflete uma necessidade de recomeço e organização que se estende para diversas esferas da vida cotidiana.
Neste retorno “oficial” à rotina após o Carnaval, estar preparado e realizar alguns ajustes no dia a dia é essencial para uma volta proveitosa. Desde a organização do ambiente de trabalho em casa visando a produtividade, até a criação de um espaço de estudo inspirador para as crianças, cada adaptação contribui para uma retomada útil.
A ideia de que um ambiente bem desenvolvido para o home office é crucial para a produtividade. “Muitas pessoas estão descobrindo que o home office veio para ficar, e investir em um espaço adequado, ergonômico e inspirador pode fazer toda a diferença na qualidade do trabalho realizado”, afirma a arquiteta Hana Lerner.
Nicole Gomes, arquiteta especialista em iluminação, destaca a importância da iluminação adequada no ambiente de trabalho. “Uma iluminação bem planejada pode fazer toda a diferença na produtividade e no conforto durante as horas de trabalho em casa”, comenta. Ela ressalta como a luz natural e artificial podem ser combinadas para criar um ambiente agradável e propício para o rendimento no trabalho remoto.
Já Marta Calasans, arquiteta especialista em ambientes infantis, ressalta a importância do cantinho de estudo para as crianças, especialmente neste momento de volta às aulas. “Um ambiente adequado para estudo e concentração é fundamental para o desenvolvimento acadêmico e emocional das crianças”. Marta enfatiza a necessidade de espaços bem iluminados, organizados e confortáveis para que os pequenos possam se concentrar e aprender com eficácia.
Mocidade Independente de Padre Miguel leva para a avenida os personagens do livro infantil ‘Tempo de Caju’, da Maralto Edições
A obra também é mencionada no samba-enredo da escola
“Pede caju que dou… Pé de caju que dá” é o título do samba-enredo da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel para o Carnaval do Rio de Janeiro deste ano. Com o objetivo de resgatar os carnavais mais leves que garantiram à agremiação os títulos das décadas de 1980 e 1990, a canção tem refrão inspirado nos personagens do livro infantil “Tempo de Cajú” (Maralto, 2010), da escritora cearense Socorro Acioli.
Provou Porã (provou!), fruta no pé
Se lambuzou, Tamandaré
O mel escorre, olho claro se assanha
Se a polpa é desse jeito, imagine a castanha
(refrão de Pede caju que dou… Pé de caju que dá) :: LEIA MAIS »
Ivete Sangalo se une a Carlinhos Brown, BaianaSystem e o bloco Ilê Aiyê para abrir oficialmente o Carnaval de Salvador
“Está aberto o Carnaval de Salvador”. Com as bençãos do poeta Castro Alves, na praça que se tornou um dos cartões postais mais tradicionais de Salvador e do Brasil, Ivete Sangalo deu o pontapé inicial em mais um Carnaval na Bahia. Nesta quinta-feira, dia 08, a baiana chegou com sua Pipoca no Circuito Osmar, no Campo Grande, com transmissão ao vivo pela Globo. Ao lado do trio de Veveta, estavam Carlinhos Brown, BaianaSystem e o aniversariante do ano, o bloco Ilê Aiyê, que completa 50 anos de história.
A Praça Castro Alves é conhecida pelos grandes encontros de trio e foi onde começou o Carnaval de Salvador, em 1976. A cantora atendeu um pedido do seu público que cantasse no Campo Grande, onde tradicionalmente Ivete sempre se apresentou. :: LEIA MAIS »
Precatórios, pensões e aposentadorias devem impulsionar economia em 2024
Injeção de recursos pode ser base para crescimento, avalia José Maurício Caldeira sócio e membro do conselho da Asperbras Brasil
Analistas do mercado financeiro acreditam que um dos vetores que podem impulsionar o PIB este ano é o pagamento de precatórios represados, pois bilhões de reais passam a irrigar a economia, além do volume de dinheiro deve irrigar a economia por meio do pagamento de pensões e aposentadorias. Precatórios são dívidas do governo com empresas e pessoas cujo pagamento já foi determinado pela Justiça em última instância. O governo Bolsonaro havia adiado este pagamento para 2026, mas o governo Lula decidiu honrar as dívidas e editou no final de 2023 uma Medida Provisória abrindo um crédito extraordinário de cerca de R$ 93 bilhões.
A MB associados projeta um crescimento de 1,7% para este ano e o Itaú de 1,8%. Bancos e consultorias acreditam que esses recursos dos precatórios podem adicionar entre 0,2 p.p. e 0,3 p.p. ao PIB. Em relatório recém-divulgado, o Fundo Monetário Internacional (FMI), aumentou a perspectiva de crescimento do Brasil de 1,5% para 1,7%. Já o Ministério da Fazenda, sempre mais otimista, projeta um avanço de 2,2% do PIB este ano.
As estimativas são de que as pessoas físicas recebam mais de R$ 40 bilhões, dos quais R$ 27,1 bilhões são destinados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). “Esse dinheiro vira renda extra para as famílias, que podem movimentar a economia com a aquisição de bens e serviços”, diz José Maurício Caldeira, sócio e membro do conselho da Asperbras, grupo que atua em diversos setores da indústria e do agronegócio. Ele pontua o cenário macroeconômico favorável. “Nos últimos três anos, o Produto Interno Bruto (PIB) surpreendeu positivamente, com avanço no encerramento do ciclo anual bem acima do previsto pelos economistas em janeiro. As previsões do mercado de crescimento para este ano começaram mornas, em 1,5%, mas em menos de um mês já estão subindo (1,6%) e instituições e consultorias importantes estão com estimativas mais altas ainda”.
Outros vetores positivos apontados pelos especialistas são o mercado de trabalho, que tem se mostrado resiliente e com desempenho sempre superior ao esperado; o aumento real do salário mínimo, já em vigor; e o Programa Desenrola Brasil, que foi prorrogado até março. Cerca de 11,5 milhões de pessoas já aderiram ao programa que renegociou, até o momento, R$ 34 bilhões em dívidas.
Taxa de juros em queda
Além disso, embora ainda esteja alta, a expectativa a taxa de juros deverá continuar sua trajetória de queda este ano. “A inflação tem se mostrado comportada, vindo abaixo das expectativas e as previsões para 2024 têm caído semana a semana”, lembra José Maurício Caldeira. “Os preços em queda possibilitam uma baixa consistente da Selic”, avalia o sócio e membro do conselho da Asperbras. “O consenso de mercado estima uma taxa de 9% ao fim de 2024, mas se os preços continuarem surpreendendo para baixo o Banco Central será pressionado a intensificar o corte dos juros”, complementa. Ele acredita que a redução dos juros é fundamental para o crescimento da economia, pois barateia o crédito tanto para as famílias, que desta forma conseguem consumir e adquirir bens mais caros, quanto para as empresas. “Crédito acessível é condição essencial para as empresas realizarem investimentos e é isso que garante um crescimento sustentado.
Agro mais tímido
Importante vetor positivo para o crescimento do PIB de 2023, que deverá ficar próximo de 3%, a agricultura não dará um impulso tão forte à economia em 2024. No ano passado, com a supersafra de 320 milhões de grãos, a agropecuária cresceu 22%. Agora, por conta do clima, a estimativa de especialistas é de uma quebra de safra em torno de 15 milhões de toneladas de grãos.
Outra fonte de dúvidas é a incerteza fiscal que ainda paira sobre a economia brasileira. Em 2023, o governo registrou um déficit primário de R$ 230,5 bilhões, ou 2,1% do PIB. É o pior dado desde 2020, quando começou a pandemia de Covid-19. “Este valor inclui o pagamento dos precatórios, mas mesmo que sejam excluídos o déficit primário foi de R$ 138,15 bilhões, ou 1,27% do PIB”, lembra José Maurício Caldeira.
Economia norte-americana
No âmbito global, as incertezas geopolíticas seguem em alta em função dos riscos referentes à guerra de Ucrânia e Rússia e aos combates entre Israel e o grupo Hamas, no Oriente Médio. Do ponto de vista macroeconômico, as perspectivas para o mundo melhoraram em relação ao último trimestre de 2023. No relatório Panorama Econômico Mundial de janeiro, o FMI prevê um crescimento global de 3,1% para 2024, um avanço de 0,2 p.p. em relação ao relatório de outubro de 2023.
A revisão das condições dos Estados Unidos para este ano, cuja estimativa de crescimento do FMI saltou de 1,5% (em outubro) para 2,1% (em janeiro), explica boa parte do cenário mais positivo.
Assim como o desempenho da China, com crescimento projetado de 4,6% (0,4 p.p. a mais que outubro), e da Índia, onde é esperado um forte avanço de 6,5% (0,2 p.p. a mais que outubro), refletindo a resiliência da demanda interna. “Esse conjunto de dados é uma boa notícia para o Brasil. Como é grande exportador de commodities, o país é um dos grandes beneficiados de um crescimento mundial robusto”, finaliza José Maurício Caldeira.
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