Associação Nacional dos Produtores de Cacau apoia o projeto
Desde o final da década de 1980, a região Sul da Bahia enfrenta uma grave crise na lavoura cacaueira provocada pela vassoura-de-bruxa, uma praga que dizimou 90% da produção baiana de cacau e deixou os produtores endividados. Agora um projeto de lei em tramitação no Senado propõe a anistia dessas dívidas e pode ajudar a recuperar a economia de centenas de municípios no país. Na véspera do Dia Nacional do Cacau, comemorado no dia 26 de março, a Associação Nacional dos Produtores de Cacau se manifesta em apoio ao projeto.
A realidade no agronegócio do cacau hoje é bem diferente da imagem difundida pela literatura e pela TV, de poderosos coronéis em seus vastos latifúndios, numa estrutura social sustentada com tropas de jagunços. A cultura do cacau está sendo mantida hoje por netos dos fazendeiros que quebraram na década de 90, com a vassoura-de-bruxa, mas também pela agricultura familiar, além de micro, pequenos e médios investidores.
Pequenos produtores, com propriedades de 5 a 10 hectares, são responsáveis por 90% da produção do fruto no Brasil. Segundo o Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem 93 mil produtores de cacau no Brasil, sendo a maioria de agricultura familiar, com tamanhos médios de propriedades entre 5 a 10 hectares.

Vanuza Barroso, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cacau, órgão representativo dos produtores de cacau do Brasil, explica que o endividamento dos produtores começou com um plano de recuperação proposto pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, a CEPLAC. Para ter acesso aos recursos, os produtores foram obrigados a seguir um programa de manejos orientado pelo órgão federal, mas o programa não deu certo e na verdade acabou aumentando a velocidade de disseminação da vassoura-de-bruxa.
“Mais de 30 mil propriedades foram à falência. Hoje são os netos desses produtores, que lá atrás contraíram essa dívida do Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira baiana, que tocam o negócio e lutam pelo perdão dessa dívida”, revela Vanuza Barroso, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC).
de metila para tratamento fitossanitário com fins quarentenários nas importações de amêndoas de cacau da África. De acordo com Vanuza, a literatura mundial aponta o brometo de metila como única substância capaz de matar todas as pragas e doenças africanas que ainda não existem no Brasil. “Não queremos mais doenças”, diz.
Crises
A economia cacaueira da região Sul da Bahia, que chegou a ser a segunda maior produtora de cacau do mundo, passou por três grandes crises. A primeira em 1929, com a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde o preço internacional do cacau era cotado. A segunda, em 1957 e em 1964/1965, por conta da expansão da produção de cacau nas colônias inglesas e francesas na África. Por fim, em 1989, o surgimento da vassoura-de-bruxa, um tipo de fungo que se alastra facilmente, apodrecendo os frutos dos cacaueiros, deu início à crise mais grave para a região, que causou profundos problemas socioeconômicos nos municípios da região cacaueira, afetando drasticamente a economia cacaueira, que chegou a empregar cerca de 400 mil pessoas diretamente e a representar mais de 50% das receitas do estado da Bahia.