
Nasci às vésperas da Ditadura de 1964. Com ela convivi meus primeiros 22 anos de vida, mas, desde os 12 de idade, tinha uma certa consciência daquilo. Naquela época, já acompanhava noticiários – inclusive os alternativos – e cheguei a ler muitos Pasquim e Última Hora. Lembro bem da polícia descendo o cacete em manifestantes, lembro também do AI-5, das palavras “censura” e “subversivo” (as mais faladas de todas), lembro ainda das tantas notícias sobre tortura, encarceramento, exílio, sumiço ou extermínio de jovens opositores ao regime.
Ditadura tem de todo tipo e ainda há remanescentes nos quatro cantos do mundo, sobretudo África e América Latina, não à toa regiões do planeta pontuadas pela pobreza e subdesenvolvimento.
Há ditaduras de direita, de esquerda, civis, militares, populistas, impositivas e até “democráticas”; nesta última, pasme, os ditadores são eleitos pelo povo! Em geral, uma característica típica desse regime de governo são os laços estreitos com ilicitudes.
Coincidentemente, a ditadura venezuelana teve sua origem nas mãos de um militar paraquedista, só que populista e de esquerda, em vez de liberal de extrema direita. Não importa, nenhuma delas presta.
No Brasil, tivemos aquela Ditadura estabelecida há pouco mais de meio século e que durou vinte e um anos; entretanto, tenho visto no atual governo eleito pelo povo vários traços, pronunciamentos, atitudes e medidas impostas que me remetem àquela época, àquele passado, algo como eu estar voltando no tempo e retrocedendo meio século. Um verdadeiro retrocesso, esta é a palavra. Tudo isso em plena quase terceira década do século XXI.
E eu pensando que já tinha visto de tudo.
Nilson Pessoa
Descreveu muito bem; fatos. Dizem que na ditadura as lideranças eram inteligentes; fato? Agora vemos trapalhadas de arremedos de políticos de cidade pequena. Aí um fato sem argumentos.