OS TABULEIROS DA MATA ATLÂNTICA DO SU DA BAHIA

Luiz Ferreira da Silva

Engenheiro Agrônomo e Escritor.

luizferreira1937@gmail.com

Cabral, depois de muitas milhas marítimas em sua avidez de descobridor

Deparou-se, ao chegar à Bahia, com o esplendor florestal

Que beleza, esta mata exuberante a perder de vista!

Cenário nunca apreciado em sua terra natal.

Caminha, o Escrivão da frota, com visão mais profunda

Avistou não só as belas planícies verdejantes; também as falésias ao mar

Nas encostas, o solo amarelado, profundo e com camadas distintas

Em carta ao Rei: “aqui em se plantando tudo haverá de dar”.

Estava assim descoberta a Mata Atlântica do Sul da Bahia

Também os sedimentos formadores dos solos de tabuleiros planos

Ecossistema úmido tropical, rico em recursos naturais e espécies endêmicas

A interação “fito-edafo-ecológica”, em clímax e compartilhada em milhares de anos.

463 anos depois (1963), novos descobridores carimbaram o fato

Pesquisadores (CEPLAC) estudaram o solo, a vegetação, o clima e demais correlacionados

Implantaram cultivos, desenvolveram tecnologias de manejo e mapearam a região

Concluíram: “floresta rica em espécies e solo apto para plantios diversificados”.

Hoje, depois de uma devastação sem igual, com reflexos danosos ao solo

Um novo momento agrícola explode, contrapondo à região contígua – cacaueira

Esta com os males da monocultura e limitações às técnicas de precisão

Enquanto os tabuleiros da mata atlântica aptos à agricultura de primeira.

(Maceió, AL, 01 de outubro de 2017)