“Cavalo de Teatro” estreia no sul da Bahia e propõe reflexão sobre colapso ambiental e memória.
No sul da Bahia, entre Ilhéus, Olivença, Serra Grande e territórios indígenas, um novo espetáculo surge como provocação poética e política diante das urgências do nosso tempo.Intitulado “Cavalo de Teatro”, o trabalho reúne arte, performance e crítica ambiental em uma narrativa distópica que dialoga com o presente.
A montagem é fruto de um processo de criação coletiva realizado pelo Oco Teatro Laboratório, em colaboração com o Coletivo Serra Grande, com direção de Luis Alonso-Aude, conta com atuação de Antonio Vergne e Márcia Mascarenhas.
Uma distopia feita de plástico, memória e ausência.
A história se passa em um mundo onde tudo foi tomado pelo plástico. Restam apenas dois seres humanos e a ossamenta de um cavalo, em meio a um cenário onde o natural foi substituído por resíduos da civilização.
Nesse ambiente, respirar, vestir-se e até se alimentar tornam-se experiências estranhas e artificiais. O plástico deixa de ser apenas um resíduo e passa a ser matéria de sobrevivência.
Enquanto caminham por esse território devastado, os personagens encontram vestígios de um passado perdido — fragmentos de memória de um mundo que já não existe mais.
Onde estão os cavalos?
Sons de cavalos ecoam na cabeça.
Uma distopia impulsiona uma utopia.
O cavalo, figura central da obra, surge como símbolo de mediação: entre vida e morte, passado e presente, humano e natureza. Sua ausência revela a ruptura dos vínculos essenciais da existência.
A dramaturgia atravessa temas como:
A exploração do petróleo, transformação da vida em produto, a guerra como motor da destruição e o esvaziamento das relações humanas.
O espetáculo expõe um mundo que, mesmo em meio ao colapso, ainda sustenta vaidades — como moda, consumo e celebrações construídas sobre “ossamentas”.
Mais do que um espetáculo, “Cavalo de Teatro” integra um conjunto de ações que celebram os 20 anos do Oco Teatro Laboratório (sediado em Salvador) que vêm sendo realizadas na região desde junho de 2025, em comunidades indígenas da regiao:
– Circencriarte nas Aldeias – vivências de circo.
– Oficinas de teatro (Oco Teatro Laboratório)
– Performances (Coletivo Serra Grande)
As atividades fortalecem o intercâmbio cultural, a arte-educação e o diálogo com comunidades locais, especialmente povos originários.
Apoio e realização
O projeto foi viabilizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), através do Governo do Estado da Bahia, cujo apoio foi fundamental para a realização da obra.
A iniciativa reforça o compromisso com a democratização do acesso à cultura, a valorização de processos coletivos e o fortalecimento das artes nos territórios.
Um chamado ao público
Entre perguntas e imagens, o espetáculo deixa uma inquietação no ar:
Poderemos nos salvar?
Onde estão os cavalos?
“Cavalo de Teatro” não oferece respostas fáceis. Em vez disso, convida o público a atravessar uma experiência sensorial e reflexiva — onde o fim pode ser também o início de outra possibilidade de existência.
Circulação
O espetáculo inicia sua circulação com apresentações em:
Ilhéus
Olivença
Serra Grande
Aldeias indígenas da região
Para mais informações, siga:
@ocoteatro
@coletivoserragrande
@circencriarte


























































