Alfredo Amorim da Silveira em: “10TAQUES”.
No local em que está atualmente edificado o Palácio da Prefeitura Municipal de Ilhéus, Palácio Paranaguá, de grande valor histórico na vida ilheense no período colonial, existia, quando aqui chegou o castelhano Francisco Romero, uma aldeia indígena Tupi. Neste local foi construído, em 1563, o colégio dos jesuítas, que chegaram a Ilhéus em 1549, em 1565 ficou pronta a igreja, consagrada a Nossa Senhora da Assunção. Com a expulsão dos Jesuítas de Ilhéus em 1760 todas as suas propriedades foram entregues aos depositários, Manoel Francisco Lima, Amaro Fernandes de Macedo e Francisco Alves dos Reis, sendo depois estas propriedades arrematadas por particulares. Nesta época atribuía-se à Igreja e à casa dos jesuítas o título de Nossa Senhora do Socorro.
Não tendo sede própria o Conselho Municipal, funcionava em casa alugada, os Conselheiros tentaram por muitos anos adquirir a antiga casa dos jesuítas para se instalar, muitas tentativas foram feitas perante o governo, mas sem sucesso.
Somente em 1888, nos termos da lei nº 2.672, de 28 de outubro de 1875, que o município ficou com o direito de aforar os terrenos de marinha e os pertencentes às extintas aldeias de índios.
Em 20 de janeiro de 1898 foi lançada a pedra fundamental do Paço Municipal, pelo Coronel Ernesto Sá Bittencourt Câmara, a antiga casa dos Jesuítas foi inteiramente demolida e dada início à construção do novo Palácio em estilo neoclássico, decorado pelo pintor italiano Oreste Sarcelli, que denominava-se “Palácio dos Grifos”, por causa dos grifos que se encontram nos quatro cantos de sua parte superior. O Palácio dos Grifos foi inaugurado nove anos depois, na gestão do Coronel Domingos Adami de Sá,.
À sua inauguração, em 22 de dezembro de 1907, à uma hora da tarde, com grande concentração popular, tomaram parte o Cel. Domingos Adami de Sá, Intendente do Município, o Cel. Henrique Alves dos Reis, Presidente do Conselho Municipal, Dr. João Mangabeira, Deputado Estadual e futuro Intendente do Município. Pela parte popular discursou o Dr. Ruy Penalva de Oliveira e o Dr. Virgílio Sá, advogado de Itabuna. À noite houve o baile de inauguração, regado a champagne e regido pela Filarmônica Guarani, em que discursou o Dr. Arthur Affonso de Carvalho.
Em 1919, o prédio ameaçava ruir. Por esse motivo a Prefeitura foi transferida para o edifício do Grupo Escolar General Osório, na Praça Castro Alves.
Em 1921 o Intendente Eustáquio Bastos resolveu reconstruir o Palácio dos Grifos conservando a mesma arquitetura, ficando o edifício com o aspecto que ainda hoje conserva.
Em 1943 o Prefeito Mário Pessoa determinou importantes obras de remodelação no Palácio dos Grifos, sendo a Prefeitura Municipal transferida provisoriamente para o prédio n.º 15 da Rua Santos Dumont.
Todo o edifício se achava condenado tudo indicando um desabamento próximo. A velha escada, toda de madeira, tinha os degraus com 0,22 cm de piso com 0,22 cm de espelho, tornando-se desconforme e pôr esse motivo contra indicada pôr quaisquer códigos de construções, constituindo o seu acesso um verdadeiro suplício.
Diante do exposto a reconstrução e restauração do prédio se empunham e foram feitos obedecendo ao seguinte critério:
A) Todas as paredes internas tanto no 1º como no 2º pavimentos assim como as novas e as feitas para substituir as existentes foram erguidas em concreto armado com bases apropriadas ao esforço a suportarem e com solidez para toda a carga do andar superior e do telhado e para que nelas se apóiem, como agora acontece, as paredes externas que passaram a servir simplesmente de tapumes.
B) Nos lugares onde não existiam paredes e de acordo com a melhor conveniência para distribuição de cargas foram levantadas pilastras de cimento armado encimadas pôr vigas do mesmo material que com as paredes divisórias suportam todo o esforço de carga, travam e apoiam as paredes externas elementos estes – paredes novas, pilastras e vigas – com resistência ainda para placa de cimento armado no 1º pavimento e forro do mesmo material no 2º sempre que isso se torne preciso fazer.
C) O telhado foi feito todo novo, em todas as seções, com distribuição mais racional de espaço que no caso é possível.
D) Tanto no 1º como no 2º pavimento o forro foi feito de novo.
E) Toda a pavimentação do 1º pavimento assim como o soalho do 2º foram inteiramente trocados.
F) Em grande parte as janelas foram trocadas. As antigas aproveitáveis foram desmontadas e novamente engradadas ora para a substituição de peças apodrecidas assim também para modificar a nova adaptação dos vidros.
Pôr sua vez as portas, em grande número foram também trocadas, sendo as restantes restauradas, sendo também nova quase toda a ferragem.
Na parte superior do prédio funcionava a administração pública. Na parte térrea funcionava o Fórum, e na parte de traz a cadeia pública.
Nas minhas pesquisas até o ano de 1949 não encontrei nenhuma referencia ao Palácio Municipal como “Palácio Paranaguá”. Mas foi em homenagem a João Lustosa da Cunha Paranaguá, Visconde e Marquês de Paranaguá, Presidente e Conselheiro da Província da Bahia, que na data de 28 de junho de 1881 elevou a Vila de São Jorge dos Ilhéus à categoria de cidade, através da lei Provincial nº. 2.187, que foi dado ao “Palácio dos Grifos” o nome de “Palácio Paranaguá”.



























































