E A VIDA CONTINUA
Lembro-me perfeitamente do grande Clube dos Comerciários de Ilhéus.
Sem idade pra freqüentar, pois menor de idade era terminantemente proibido a entrada, ficava a ver meus pais se arrumarem para as suas tradicionais festas, principalmente aos domingos, quando funcionava a tradicional boate, começava no início da noite e terminava à zero hora.
Pela freqüência selecionada e pelas músicas executadas pelo conjunto musical que tinha o velho Chico Carapeba no contrabaixo, via-se que a coisa era de prima.
Pra quem não se lembra, Chico Carapeba era um misto de alfaiate, músico e técnico de futebol (Flamengo).
Nos micaretas e nas quatro noites do carnaval, o clube pegava fogo, as mulheres com suas fantasias discretas, os homens com camisas listradas e quepe da marinha, tudo numa boa e sem nenhuma confusão.
Era mais ou menos assim que funcionava o humilde, mais bastante frequentado, CLUBE DOS COMERCIÁRIOS DE ILHÉUS.
Quando a economia era outra e os métodos comerciais idem, um grupo de comerciários e pessoas de outros segmentos fundou e construiu um patrimônio, e que por muitos anos foi uma referência na sociedade ilheense.
Festas, comemorações, eventos foram realizados no clube mais aconchegante da cidade, tudo porque a exigência para compor seu quadro social era rigorosa.
Citaremos alguns nomes que por lá passaram: Elias Ocké, Zécarlos Oliveira, Heitor do Armarinho, Major Astor Badaró, Sílvio Silva, e tantos e tantos ilustres e respeitados ilheenses.
Vamos deixar pra lá o saudosismo e vamos ao que interessa, como dizia aquele valentão das alagoas.
O que aconteceu com o patrimônio do clube, no caso o seu prédio, sabemos apenas que a laje foi cedida para a maçonaria e a parte onde funcionava a agremiação passou para as mãos da prefeitura municipal.
Como foi realizada esta transação, só a direção da loja maçônica e os prepostos da prefeitura podem decifrar. Se a prefeitura paga aluguel, arrendamento ou o que valha, não se sabe, e nem a quem.
Portanto, o patrimônio construído por inúmeros abnegados e humildes comerciários, fica apenas na nossa lembrança e de alguns sócios remidos que ainda vivem, a exemplo de meu pai Zécarlos Oliveira, antigo e devotado funcionário dos Correios e Telégrafos.
ZÉCARLOS JUNIOR


























































