Do Público ao Privado
A GUERRA NA SANTA CASA I
A eleição para a Provedoria da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna já começa a dar o que falar. Ao invés da escolha de “irmãos” para dirigir a entidade mantenedora dos hospitais Calixto Midlej Filho, Manoel Novais e São Lucas, o pleito promete se transformar numa guerra que nada tem de santa.
A guerra fraticida, se que assim pode ser chamada, divide os irmãos da entidade em dois grupos: o dos médicos e dos não médicos, cumprindo a profecia que dizem ter sido feita por Calixto Midlej Filho, de que quando “um médico fosse escolhido provedor a Santa Casa regrediria”.
A GUERRA NA SANTA CASA II
Verdade ou não, a tal profecia é dita a boca pequena em Itabuna e nesta eleição estará mais forte que nunca. De um lado, o candidato do grupo liderado pelo médico Sílvio Porto, que é o também médico Silvany Chaves. Do outro, o candidato do atual provedor, Renan Moreira, que indicou o nome do empresário do ramo de combustíveis, Carlos Azevedo, conhecido como Carlinhos Bavil.
O babado é forte e dizem que as ações pré-eleitorais já esquentaram e valerá a máxima pros amigos tudo, pros inimigos os rigores da lei. Traduzindo: os irmãos que não estiverem em dia, mas que apoiam a chapa contrária ao provedor ficará de fora da eleição. Entretanto, o mesmo argumento não valerá para os que apoiam o candidato do provedor.
Ou seja, bordoada nos peitos será considerado simples chute na canela.
A GUERRA NA SANTA CASA III
Qual será a causa de tanta briga por parte desses grupos que pretendem assumir a provedoria de uma entidade que há anos vive em constante dificuldade, sem recursos para honrar o pagamento de funcionários e fornecedores? Na certa, benemerência não deverá fazer parte da intenção desses “anjinhos”.
O certo é que a cada eleição é um “Deus nos acuda” e provoca um fratricídio na base. Além do período eleitoral, é muito comum “esse delito” também é visto com frequência durante o mandato. O último aconteceu durante a negativa de um dos irmãos da diretoria não aceitar por sua assinatura numa prestação de contas. O mais grave é que esse irmão ocupava o cargo relevante para atestar o tal documento.
DISSE-ME-DISSE I
O PCdoB de Itabuna é o partido da moda e seus próceres desfilam como candidatos em toda a mídia regional. De repente, os comunistas, após desfraldarem a bandeira da independência partidária, passaram a desfrutar de prestígio junto à comunidade e são disputados por outros partidos, até mesmo pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que não admite perder tão importante aliado.
Impossível não abrir um jornal, ouvir uma emissora de rádio ou um blog para não dar de cara com as pré-candidaturas do PCdoB itabunense. As noticias diárias dão ânimos aos candidatos a candidatos ao mesmo tempo em que causam certo desgaste, principalmente em virtude de não haver consistência na apresentação do nome a disputar a eleição.
DISSE-ME-DISSE II
Davidson Magalhães, Wenceslau Júnior ou Luiz Sena? Qual dos três tem “farinha no saco” para vencer a convenção? Mas essa é apenas a primeira fase, pois o mais importante é convencer e empolgar o eleitor, através da demonstração de competência individual e dos apoios institucionais, o que “abre portas” para prospecção de recursos e desenvolvimento da campanha.
Na imprensa, o partido ainda está sujeito ao “fogo amigo” dos concorrentes, por mais camaradas que sejam. Se esse comportamento é possível interna corporis, imagine o fogo cruzado vinda dos adversários externos. Faltando mais de um ano para as convenções, o leitor mais desatento fica “grilado” com o desencontro de notícias, algumas dadas sob a forma de especulação, enquanto outras atendem a interesses dos mais variados.
DISSE-ME-DISSE III
Num mesmo veículo de comunicação um determinado nome é dado como o pré-candidato, enquanto no dia seguinte outro companheiro tem seu nome especulado. O PCdoB, um partido experiente, inclusive dado à elaboração de estratégias de guerrilha política, vai administrando as batalhas com bom humor, para desespero dos adversários.
Dentre os considerados “inimigos políticos” nenhum partido de direita, que não disputa o mesmo voto, nem vai para o corpo-a-corpo com o eleitor. O mais visado, o mais ferrenho opositor é o Partido dos Trabalhadores (PT), que em Itabuna tem dono com papel passado em cartório eleitoral: Geraldo Simões. Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, principalmente na política.
O PT DE ILHÉUS E JABES I
Parte da militância petista de Ilhéus “corre da eleição como satanás da cruz”, como ilustra bem o ditado. Esse grupo, que é liderado por Geraldo Simões, apesar de minoria, quer fechar questão com o ex-prefeito Jabes Ribeiro, e considera de bom tamanho indicar o candidato a vice-prefeito da chapa.
Para isso, já prepara um nome para a vice de Jabes Ribeiro, prometendo sair da Administração Municipal, onde ocupa cargos importantes, a exemplo das secretarias da Saúde, de Planejamento, Comércio e Indústria, dentre outros cargos em várias secretarias. Só que, ao invés de entregar os cargos, os petistas somente ameaçam, na espera que apareçam mais uma boquinha para os companheiros.
Essa tática – a da chantagem política – é bem antiga e não mais mete medo nas criancinhas política do governo municipal.
O PT DE ILHÉUS E JABES II
Os petistas ilheenses sabem muito bem o que é uma coligação e “costumam dançar conforme a música”. Explicando: agem de acordo com a situação. Caso os companheiros ocupem cargo majoritário, tratam o vice como “a décima terceira pessoa depois de ninguém”. Mas, se a situação fora inversa, promovem a maior choradeira e “pintam o diabo” para desqualificar o mais alto mandatário.
Basta lembrar o passado recente, em que o candidato a vice-prefeito na chapa petista encabeçada por Ruy Carvalho foi o irmão de Jabes, Joabs Ribeiro. O distanciamento entre os dois grupos ficou mais do que evidenciado, numa clara demonstração de que “água e óleo não se misturam” (pelo menos àquela época).
O PT DE ILHÉUS E JABES III
Caso essa pequena comparação não sirva como exemplo, do lado existem fatos que servem muito bem para ilustração. Os três vice-prefeitos de Jabes Ribeiro não teriam muita coisa para elogiar sobre o tempo em que passaram no poder. Todos eles teriam “muita ladainha” para rezar sobre o gabinete do Palácio Paranaguá.
Enfim, como é, de fato, na vida real, os candidatos prometem o que não devem e fazem o oposto do que prometem. Se esse fato for olhado pelo viés do exercício do poder, até que eles têm razão, já que o poder tem de ser exercido em sua plenitude. Quem quiser o poder que o tome, já que alguém de juízo perfeito não irá entregá-lo de “mão beijada”, como diz o ditado.
NADANDO DE BRAÇADA
Enquanto os partidos não se definem se terão candidatos próprios ou se coligarão e com quem, em Ilhéus, o ex-prefeito Jabes Ribeiro vai nadando de braçada em mar de almirante. Bem colocado nas pesquisas, não aparece no jogo para disputar bola dividida, mas está na primeira fila para comemorar o gol ou a partida ganha.
Pelo andar da carruagem, seu nome ganha mais espaço na mídia, principalmente após a realização de cada pesquisa, que mesmo sem ser registrada passa de mão em mão. Junto ao povão ele caminha com a mesma desenvoltura, volta e meia sobe num dos tantos morros, distribui beijos e abraços, come na panela nas casas mais humildes, enfim, faz o que sabe: política.
A NOVELA DA CÂMARA I
Mas uma vez a Câmara de Itabuna volta a ser estampada nas manchetes dos meios de comunicação sobre os desmandos praticados. E o motivo é um só: a falta de interesse dos vereadores em fiscalizar o que eles mesmos fazem. Seja por corporativismo, simples desinteresse ou falta de conhecimento, cada presidente que passa pelo Legislativo constrói o seu mundo, sem exceção.
Cada uma das mesas diretoras que passam pelo Legislativo formam os seus grupos de apoios internos, que passam a ser contemplados com as benesses do poder, a exemplo de viagens com polpudas diárias, dentre outros mimos concedidos. Outra maneira de manter a mesa diretora em permanente blindagem são as indicações de cargos para os gabinetes, cujos salários são divididos com os patronos, por pura filantropia de seus ocupantes.
A NOVELA DA CÂMARA II
Agora mesmo, o presidente do Legislativo, Ruy Machado, promete destruir (não é de hoje…) o seu desafeto político Roberto de Souza, com uma auditoria realizada na gestão do boneco Clóvis Loiola, comandado por Roberto. Vai dar na mesmice de sempre, quem sabe até que não surpreenda de ocorram algumas cassações?
Caso isso ocorra, a atual mesa diretora passa a ser conhecida pela bravura e lisura das ações, formando uma carapaça para se proteger das fiscalizações sobre seus atos. Ao se defender, passa ao ataque. Caso haja algum colega descontente, o presidente passa a culpar o chefe do executivo pelas dificuldades, desviando o foco da questão.
E continua tudo como dantes no quartel de Abrantes.
BOA NOTÍCIA
Pela primeira vez na história do sindicalismo de Itabuna uma negociação com o município chegou a termo de maneira relâmpago. Sequer tinha chegado à mídia, professores da rede municipal de ensino e a secretaria da Educação chegaram a um acordo, ainda por cima com direito a elogios das duas partes entre elas (o que nunca tinha acontecido).
Enquanto os professores pediam, via sindicato, um aumento de 15%, mais do que de repente, o professor Gustavo Lisboa desmontou a queda-de-braço que se avizinhava com a contraproposta de 15,85%.
Essa é uma demonstração de que por pior que seja o governante e seu governo, nem todos são iguais. Ou seja, em toda a regra existem exceções. No caso em voga, gente competente para efetuar estudos e oferecer contraproposta decente, demonstrando comprometimento com o município.
Como normalmente se diz, o negócio só é bom quando interessa às duas partes. E foi o que aconteceu.
CONTAM POR AÍ…
Em 1992 o Partido dos Trabalhadores (PT) ganhou a eleição em Itabuna, elegendo Geraldo Simões, o que foi considerada uma grande “zebra” política. Afinal, em todas as pesquisas o PT disputava o último lugar com os candidatos Renato Costa e Dinailton Oliveira.
Na reta final da campanha, o impeachment de Collor levou os estudantes com “caras pintadas” às ruas e os partidos pequenos, dito de esquerda começaram a crescer nas pesquisas.
Em Itabuna não foi diferente. Na quinta-feira que antecedeu a eleição o PT promoveu uma caminhada na avenida do Cinquentenário, com a presença dos estudantes, reforçando o “fora Collor” e ganhou a adesão dos comerciários e da população em geral.
Foi o começo da apoteose, que se confirmou nas urnas, sem tomar conhecimento dos candidatos Oduque e Ubaldo, que se alternam nas primeiras posições.
Eleição ganha, restava apenas formar o governo e “sair para o abraço”, ou melhor, para administrar a cidade.
Mas como o PT se notabilizou pela renhida oposição que sempre fazia aos governos, seus militantes, notadamente os mais sectários, formados nos piquetes e greves, não admitiam a hipótese de ser governo.
Logo após uma das muitas passeatas e comemorações feitas, uma dessas turmas foi “bebemorar” no bar e restaurante Cinderela, ao lado da antiga prefeitura (ao lado do fórum).
Lá pelas tantas, após umas duas dúzias de birita, a turma começou a chorar copiosamente diante do mais grave problema existencial: deixar a oposição e ser governo.
Foi preciso muito convencimento dos dirigentes petistas, principalmente os da articulação (considerada a direita do PT) para convencer os companheiros sobre as vantagens de ser governo e revolucionar a administração municipal.
Dito isso, os companheiros se convenceram, pararam de chorar e até hoje estão adorando “os encantos da burguesia”.
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Do <a href = “http://www.ciadanoticia.com.br/v1/2011/05/14/do-publico-ao-privado-7/” target = “_news”><b>CIA DA NOTÍCIA</b></a>


























































