Um Louco Amor
De: Miguel Abreu
Assunto: Um Pequeno Texto Literário- Um Louco Amor
Corpo da mensagem:
Um Louco Amor
Quando dois ladrões, dois dias seguidos, tentaram pular o muro da casa do Aristarco, seus vizinhos o aconselharam a criar um pit-bull.
Na mão de um surfista que morava ali perto, comprou por R$ 100 um belo filhote batizado pelo vendedor como Lampeão de Gohan. Bôa procedência, sobrenome tradicional, vivia o moleque supernutrido quase sempre preso e, antes de completar um ano, já latia grosso, embora tivesse o coração doce como o de uma santa. Amigo de todos, caninos e humanos, era a antítese da má fama injustamente atribuída à sua raça.
Um dia, chegou à sua casa um amigo do seu dono trazendo a Brida, uma velha pastora belga, mãe de várias ninhadas, mas aposentada, há vários anos, nas artes do amor. Se apaixonaram. Se enlouqueceram. Entraram em transe.
À saída da sua amada, Lampeão uivou alto três dias e três noites e Aristarco, por pena, o levou para passar uma tarde a sós, no canil da sua amada, onde ficava presa numa corrente.
À noite, uma veterinária foi chamada às pressas ao canil da velha Brida, pois esta não mais se levantava. No chão, aquela cena trágica que vemos, com frequência, nos noticiários da TV.
Ele, também, não passou ileso por esta experiência debutante, embora dispensasse cuidados profissionais.
Ficou dois dias cabreiro, olhando o Aristarco de banda, com a cabeça baixa. Parou de latir. Ficou mais quieto. Parou de brincar de pega-pega, quando solto.
Está na dêle. Zen, numa bôa. Em total harmonia com o Universo.
Miguel Abreu,
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