A matéria a seguir exposta tem como foco principal a figura do saudoso Oswaldo Wenceslau Silva, prestigiado contista, com inúmeras obras publicadas, inclusive sobre pesca, editor da famosa revista especializada em pesca, caça e meio ambiente, publicada e distribuida pela Editora de Minas Gerais.

Oswaldo era muito conhecido entre os praticantes da pesca esportiva, inclusive pelos pescadores de Ilhéus, pois aqui esteve por cerca de seis vezes como árbitro da Gincana, hoje, Torneio de Pesca da Gabriela. Sua revista – a Revista de Pesca de Belo Horizonte – publicava sistematicamente notícias sobre pesca amadora da Ilhéus, inclusive os resultados dos torneios de pesca. Abaixo registramos um acontecimento pitoresco acontecido na cidade Baiana de Carinhanha, durante o famoso “Festival do Acari”, realizado anualmente na aludida cidade.

Em Carinhanha, cidade baiana banhada pelo rio São Francisco, situada no sudoeste, na divisa com Paraopeba (Minas Gerais), realiza-se, todos os anos o famoso Festival do Acari. Aliás, o Acari, também conhecido por Cari, Cascudo e Carinhanha (nome indígena) deu o nome à cidade baiana. A festa começa nas primeiras horas da manhã, com alvorada de fogos, missa solene, jogos, almoço comemorativo, procissão à tarde e nova queima de fogos e fogueiras à noite, quando a população se reúne para as cantorias, bebericar e comer Acari assado no borralho. O Acari é um peixe pré-histórico, com exoesqueleto – placas ósseas justapostas na parte externa, formando uma carapaça protetora. Quando a fogueira vai chegando ao fim, já com muitas cinzas sobre os tições em fim de combustão, coloca-se o Acari no “borralho”, sem tratar e deixa-se que ele fique tostado – o que marca o fim do cozimento. Neste ponto tira-se o Acari do fogo e remove-se a carapaça. Ele sai por inteiro, o que também ocorre com as vísceras, restando o filezão pronto para ser degustado. Aí é só preparar os acompanhamentos: pirão, farinha torrada ou farofa, salada, molho de pimenta e vinagrete.

Numa dessas festas Oswaldo compareceu a convite de amigos e após o jantar típico perguntou se ali não existiam “piranhas”. Ao que os amigos disseram que o levariam ao local exato da pescaria noturna. Sobe palafitas, erguidas na várzea do São Francisco, construíram diversas casas de madeira interligadas por passarelas do mesmo material. Esta técnica de construção é muito comum em áreas próximas de grandes rios, para evitar o completo alagamento na época das cheias. “Desse modo ainda que o “Velho Chico” saísse da “sua caixa”, o movimento daquele excelente pesqueiro de “piranhas” não sofreria qualquer tipo de prejuízo”.

Ao chagarem ao famoso “pesqueiro” Oswaldo escolheu uma “piranhinha” jovem, bem bonita e com contornos bem acentuados. Naquele tempo não se costumava construir banheiros contíguos aos quartos, de modo que a higiene íntima era feita em bacias com água tirada de vasos que ficavam sobre mezinhas nos quartos. As “moças de fino trato”, após a prática do atletismo de alcova, levam a bacia com água, uma toalha e uma saboneteira até o cliente para devida assepsia. As mais refinadas ainda ofereciam um perfume; normalmente um “Avant Laffete” – o clássico dos bregas da época. Terminada sua “ginástica” a ”personal trainning” beiradeira apresentou a Oswaldo um maço de papel higiênico e pedindo-lhe desculpas, justificou-se: “Olha moço, me discurpe. É que eu só me imputecí a uns quinze dia e ainda não ganhei dinhero soficiente prá comprá os apareio de meterage.”