A cidade continua com dias lindos e de clima ameno. Como Deus está em tudo e em todos os lugares, não tenho dúvidas, em Ilhéus ele deixa boa parte de si. Digo na natureza, para que não ajam interpretações contraditórias. Na política e na administração, ele nos legou um purgatório do tempo da sua criação no Concílio de Nicéia, a cidade está no limbo; melhor fossem as chamas do inferno, que, assim como as da paixão, talvez nos aquecessem a alma, mesmo, como é do feitio desta, transitoriamente (mas como é bom vivê-la!).
Nem céu e nem inferno. Ilhéus rima com céus mas prevalece o despropósito. A ilhéus política não é chama que arde, é limbo, falta de simancol, ausência de propósitos; como já dito, o inusitado e o ridículo de mãos dadas. Natureza bela, cidade largada. Do seu jeito, mesmo no silêncio, a população sente os efeitos da péssima administração e protesta (em todos os cantos se ouvem as queixas). O mundo político administrativo é o universo do absurdo.
Torço pela recuperação de Newton Lima, acredito que de fato ele teve um mal estar. Ele não brincaria de maneira irresponsável com a sua saúde e os médicos que lhe atenderam são pessoas idôneas. De péssimo gosto os boatos de que seria treita (mas, lamentavelmente, com atitudes que os alimentaram). Há de saber se separar as questões políticas das pessoais. Em momentos como tal deve prevalecer a solidariedade ao ser humano.
Infelizmente os seus consortes de governança não pensaram assim. Tivemos, logo após a efeméride, um festival de atitudes deselegantes, oportunistas, de descompromisso com a coisa pública, a exibir o despreparo da equipe de governo para as funções que exercem. As atitudes da “equipe de governo” deram vezo a todos os tipos de boatos possíveis a circularem pela cidade; de uma babel de desencontros a um bordel de baixarias (de câncer nos pâncreas a que a esposa do prefeito o largaria se ele voltasse). O interesse privado sempre prevalecendo sobre o público.
Nenhum profissionalismo. Esperar-se-ia atos institucionais bem previsíveis. Posse do vice por quinze dias, a assessoria de comunicação informando diariamente à população sobre o estado de saúde do prefeito, os serviços de rotina sendo tocados, até que se tivesse um quadro definitivo do estado de saúde do alcaide e, se necessário, atitudes definitivas deveriam ser tomadas.
Mas, o óbvio e ululante, não prevaleceu. Prevaleceu o inusitado absurdo. O prefeito no leito hospitalar recebeu uma visita do Vice-Prefeito acompanhado do secretário de governo (segundo notícia no Bahia OnLine), não como ato de solidariedade, mas para saber qual as intenções do enfermo, se voltaria logo ou não (tal definição não seria da equipe médica!!!), porque os demiurgos, precisavam eleger bodes expiatórios para a péssima performance governamental ( exonerar dois secretários) e criar um suposto paraíso administrativo, visando as eleições de 2012.
Tanto amadorismo. Tanto infantilismo. Tanta falta de espírito republicano.
Tanta falta de solidariedade.
A população de Ilhéus não merece isso!