João Torpedo

João Soares Rocha, seu nome verdadeiro, corretor da Sul América Seguros, super elegante, só andava de terno de linho super pitex, inglês (provavelmente costurado pelo alfaiate Didi, que trabalhava na Rua Ernesto Sá, nos fundos do Hotel Britânia, ou Gregório da Rua Prado Valadares ou Chico Carapeba e Buralho da Praça do Jipe, onde hoje esta o edifício da Embratel), sapato de duas cores, que era moda na época e chapéu; um grande contador de vantagens, era chamado de “João Torpedo” por causa das besteiras que falava, e falava muitas cargas d’água como: “Vou sair daqui porque este esgoto está com mau hálito”; “cumi um ovos me sintimi má, comprei bricabonato de sódio e arrotei prefeito”; no dia seguinte à inauguração do farol do morro de Pernambuco estava reclamando do mesmo: “Inaugurou ontem e hoje já está  com defeito”, no dia da inauguração o farol ficou com a luz acesa, sem piscar, só no dia seguinte começou a funcionar como mandam as normas, piscando; na festa do quadricentenário de Salvador foi visitar da cidade,  ficou admirado com tanta beleza, comentava que não ia perder a comemoração do próximo centenário da capital baiana.
Era apaixonado por metafísica, sempre passava pelo comércio com uma porção de livros sobre o assunto embaixo do braço indo estudar no escritório de seu amigo Ariston Cardoso.
Junto com Tácito Sá, Amarílio Tristão de Melo, Antônio Olimpio da Silva, Alonso Martins, Roberto Reis, Astrogildo Sá e outros, participava da turma que fazia ponto todas as tardes em frente às amendoeiras do Bar Vesúvio, creio que eram os “RM” da época.

Coló (José Claudino de Oliveira Dias)

Foi outra grande figura de Ilhéus, trabalhava no Banco de Ilhéus, que passou a ser Banco Comércio e Indústria, depois vendido ao Banco Nacional, era tesoureiro do banco e de vez em quando trabalhava no caixa, funcionário de alta confiança, nunca usava uma calculadora, fazia os cálculos de cabeça, na mão.
Nunca namorou, nem se casou, foi apaixonado por uma loira de olhos verdes, um amor não correspondido que fez com que ele desistisse de casar, e também apaixonado pela atriz francesa Brigite Bardot.
Todo domingo Coló ia tomar umas cervejinhas no Clube dos Bancários na Cidade Nova, começava a farra tomando coca cola ou água mineral, depois fundava na cerveja, bebia sozinho, não dividia sua cerveja com ninguém, na volta pra casa, chapadão, voltava pela linha do trem para não se perder, pois morava na Rua da Linha, como era conhecida na época, nos fundos do Prédio Escolar General Osório, hoje Rua Bento Berilo, no percurso sempre tinha um que lhe perguntava: “Como é que Coló caminha?” (coloca a minha), e ele respondia: “Coló caminha de banda, com a perna de bambu e a minha no seu c…” (Coloca a minha de banda); freqüentador assíduo do bar de Jorge Medauar Nassri, em frente à subida da ladeira do café, onde tinha Orlando, Mazinho, Walter, Gerson, David, José Carlos (Zé Fininho), seu colega e gerente do banco, e outros como colegas de copo; fumante inveterado dos cigarros Minister; não perdia uma festa no Clube Social de Ilhéus; quando estava de bom humor ia até a Praça Castro Alves e em frente ao busto do mesmo declamava suas poesias, quando estava de mau humor esculhambava o pobre do Castro Alves. Coló era flamenguista doente; muito inteligente, tinha conhecimento de tudo, era um grande leitor de jornais e revistas, estando sempre atualizado; tinha conta em todos os bancos da cidade, menos no que trabalhava, para os colegas de trabalho não saberem o seu saldo, que era muito grande; quando morreu deixou muito dinheiro aplicado em poupança e nas suas contas bancárias.
Um grande amigo e pessoa de sua confiança foi Josenilton Correia da Silva o “Piloto”, cambista do jogo do bicho que fazia ponto em frente a sua casa, que lhe deu apoio e prestou grandes serviços quando não mais podia sair de casa.
Natural de Ilhéus, filho de Durval de Oliveira Dias, ferroviário, maquinista da Estrada de Ferro de Ilhéus, e Maria de Carvalho Dias, irmão de Aloísio, José, Durvalina, Kátia, Osvaldo, Ieda, casada com Zequinha do Rádio e Maria Angélica.
Terminou seus dias internado no Abrigo São Vicente de Paulo onde faleceu às 18 horas do dia 18 de junho de 2006, morte causada por uma parada cárdio respiratória, enfisema pulmonar e insuficiência respiratória, está enterrado no Cemitério de Nossa Senhora da Vitória.