por Edgard Siqueira

Já foi sugerido que a palavra “Mensalão” fosse inserida no dicionário da língua portuguesa como sinônimo de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha. Quer dizer, levar vantagem de forma ilícita. E por que as farras das demarcações indígenas podem ser consideradas como um “Mensalão”?

Com um pretexto altruísta para justificar tal politica, “temos uma divida histórica com esse povo e precisamos demarcar os seus territórios para a preservação da sua cultura e identidade”. Este argumento na realidade não passa de uma fantasia, de uma utopia. Por que o que está acontecendo com os verdadeiros indígenas nas áreas já demarcadas, beira a um genocídio. O secretário especial de Saúde Indígena, Antônio Alves disse que o avanço da tuberculose entre populações indígenas brasileiras “preocupam” sic, o governo federal. Dados do Ministério da Saúde indicam que a prevalência da doença nas aldeias é de 102 casos para grupo de 100 mil, enquanto entre as populações não indígenas o índice é de 37 casos. Destacou que 630 crianças abaixo de 1 ano morreram em 2011 em decorrência de males, como doenças respiratórias e diarreia. Se o  governo não tem condições de cuidar dos índios nas reservas já homologadas o que justifica esta obsessão em demarcar novas reservas? Interesses espúrios?

Interesses espúrios, sim senhor. A Constituição Federal no seu art. 231 § 4º determina “As terras indígenas são inalienáveis e indisponíveis e os direitos sobre elas, impresctiveis…”. Portanto como justificar os 35 contratos de arrendamento celebrados entre Empresas Estrangeiras e Comunidades Indígenas, todos eles feitos ao arrepio da FUNAI (hahahaha), e que estão sendo investigados pela Advogacia Geral da União.

Recentemente a imprensa nacional divulgou que, por US$ 120 milhões de dólares, índios da etnia Munducuru venderam a uma empresa estrangeira, direitos sobre uma área 16 vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Pelo contrato, os índios se comprometem a não plantar (normal) ou extrair madeira nos 30 anos de duração do contrato. Qualquer intervenção no território depende de aval prévio da Celestial Green Ventures, empresa irlandesa, que se apresenta como líder mundial de crédito de carbono. Deixando assim de usar a terra para “uso e costumes”.

Benedito Mileo Junior, agrônomo que negocia créditos de carbono de comunidades indígenas, estima em 1 mil dólares o valor do hectare contratado. Mileo diz já ter negociado 5,2 milhões de hectares. “Pilantragem. Os índios assinam muitas vezes sem saber o que estão assinando. Ficam sem cortar uma arvore e acabam abrindo caminho para a biopirataria”, disse Marcio Meira, Ex Presidente da FUNAI.   Foi por esta razão e não por decisão politica como afirmam alguns teimosos local, que a Advocacia Geral da União publicou no dia 17/07 a portaria 303/2012. Colocando com esta portaria um freio nos mensaleiros das demarcações.

O que verdadeiros índios estão fazendo com 120 milhões de dólares no coração da Amazônia? Com tanto dinheiro, como os índios estão morrendo de tuberculose? Por ser verde, será que é na higiene pessoal? Com certeza nunca viram e nunca pegaram  uma cédula de dólar.

Se o verdadeiro pretexto para as demarcações são os interesses espúrios, quando serão  punidos os mensaleiros por estes arrendamentos ilegais?  Ainda bem que a sorte dos mensaleiros originários acabou e os da demarcação esperamos que também. Torcemos para que a sorte dos verdadeiros índios mude também, interrompendo o seu genocídio. Uma conclusão.  Já chega de demarcações.