Prezado(a) Sr(a):
Vimos pelo presente dar voz a algumas de nossas indignações no que tange o tratamento dados aos contratados do Centro Estadual de Educação Profissional da Bahia. É indispensável querer colocar uma escola de educação profissional, em que se requer profissionais com conhecimentos específicos na área técnica, atuando com um modelo de contrato falido que em nada estimula a permanência no trabalho, muito menos o aprofundamento de vínculo com a instituição.
Observe que os centros possuem profissionais em sua maioria PSTs (favor não citar o concurso REDA porque ele não dará conta das demandas das escolas, apenas atenuarão uma pequena parte do problema), e tais contratos parecem não levar em consideração que os profissionais tem necessidades básicas como pagar aluguel; alimentação, pagar conta de água, energia e telefone; fatura de cartão, dentre outros. Parece que os contratados de PSTs atuam “apenas por amor”, como querem e já disseram alguns ridículos políticos brasileiros.
Um exemplo recente ocorre no CEEP – Semiárido (Centro Estadual de Educação Profissional do Semiárido), onde vários de seus contratados cujas cidades de origem são muito distantes do Centro, vieram acreditando na inserção no mercado de trabalho, acreditando em desempenhar o papel que cabe a cada um na sua formação. Contudo, ao chegarem neste Centro, depararam-se com um atraso salarial indispensável (três/quatro meses trabalhando sem receber) e com uma carga horária sufocante. Houve caso de PST que orientou estágio há um pouco mais de um ano e nunca recebeu (de fato, o Estado tem obrigado aos profissionais a atuarem por amor, não?!) e de professores(as) que trabalharam 40hs/aula e receberam apenas 20hs/aula (“salário” referente aos meses de abril e maio, visto que depois deste período, além de ter recebido um valor que não supre a carga horária trabalhada, estes professores não mais receberam qualquer salário mensal).
Modéstia a parte, os PSTs deste Centro (CEEP – Semiárido), têm demonstrado empenho e atuado de modo exemplar na escola. Outro lado desse aspecto diz respeito aos envolvidos e responsáveis tanto na DIREC quanto na SUPROF para a lida com os documentos dos contratados e a vida funcional. Temos aí um jogo de empurra (para eles a culpa nunca é de ninguém a não ser da própria escola, que por sinal apresenta provas que manda regularmente os documentos). Então, o que justifica tanto descaso? Como lidar com tamanho desrespeito para quem já se sente desrespeitado por ganhar menos que um professor efetivo e trabalhar a mais? Como manter esse profissional vinculado à escola se os órgãos responsáveis por isso são negligentes no que diz respeito a atender, pelo menos, a regularização do pagamento?
Esperamos que nossas vozes sejam ouvidas por alguém e que esse alguém faça alguma coisa por todos, esperamos que haja o mínimo de respeito ao nosso papel na escola e que se entenda que ele, sobretudo para os Centros (que ainda estão nascendo e querendo imprimir uma identidade), são de extrema importância, uma vez que a maioria dos PSTs contratados atua em áreas especificas dentro de um curso técnico (raros são os que atuam em disciplinas da Base Nacional Comum); logo, são profissionais que sustentam a proposta de formação técnica. Esperamos que nossas vozes não sejam silenciadas pela indiferença e pelo descaso, pois além do reconhecimento salarial nos sentimos parcialmente responsáveis pelo “rosto” que se dá aos cursos do Centro e ao seu sucesso. Concluímos informando que caso nossa situação não seja regularizada e não haja resposta, paralisaremos nossas atividades na escola.
            Sem mais,

PSTs da Bahia

Enviada por Eduardo Afonso.