Escrito por João Ivo Girardi  

Uma história que poucos conhecem…..

Nenhum estado brasileiro comemora a Independência do Brasil com tanto entusiasmo quanto a Bahia. As diferenças começam pelo calendário. O feriado de Sete de Setembro, marcado nas outras regiões por desfiles militares e escolares aos quais o povo raramente comparece, é ignorado pela maioria dos baianos. A verdadeira festa acontece no dia 2 de julho, data da expulsão das tropas portuguesas de Salvador em 1823. E só perde em grandiosidade para o Carnaval. Os baianos têm motivos para celebrar. Foram eles os brasileiros que mais lutaram e sofreram pela Independência. A guerra contra os portugueses na Bahia durou um ano e cinco meses, mobilizou mais de 16.000 pessoas só do lado brasileiro e custou centenas de vidas. Foi também ali que o Brasil independente correu o mais sério risco de se fragmentar. Depois da expulsão das tropas do general Jorge de Avilez o Rio de Janeiro, em fevereiro de 1822, metrópole portuguesa decidiu concentrar em Salvador todos os seus esforços militares. O objetivo era dividir o Brasil. As regiões Sul e Sudeste ficariam sob o controle do príncipe regente D. Pedro. O Norte e o Nordeste permaneceriam portugueses. Mais do que isso, a metrópole alimentava a esperança de que, uma vez dominada a Bahia, suas tropas poderiam eventualmente atacar o Rio de Janeiro e dali recuperar as demais províncias. A coragem e a determinação dos baianos impediram que isso acoontecesse. A resistência baiana decidiu a unidade nacional, (…) As tropas brasileiras eram comandadas pelo general francês Pierre Labatut. Comandou as tropas brasileiras por dez meses, mas a nomeação de um oficial estrangeiro para um cargo tão importante causou desconforto na Bahia. O general mal falava a língua portugesa e insistia em alistar escravos nas tropas brasileiras, medida que os senhores de engenho temiam, por acreditar que, uma vez armados, os negros poderiam se voltar contra eles. Cercado por intrigas de todos os lados, Labatut acabaria preso e destituído do comando pelos próprios oficiais cinco semanas antes de terminar a guerra. A glória de entrar em Salvador com as tropas brasileiras no dia 2 de julho caberia ao coronel José Joaquim de Lima e Silva. Era tio do jovem Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias e atual patrono do Exército brasileiro, que também participou dos combates na Bahia como tenente ajudante no Batalhão do Imperador. Os primeiro soldados brasileiros entraram na cidade ainda pela manhã. Nem de longe lembravam um exército vitorioso. Eram homens descalços e quase nus, mostrando a miséria dos andrajos a grandeza de seus sacrifícios. Foram recebidos com festa pelos moradores. E com festa ainda são lembrados todos os anos no dia 2 de julho. A Bahia decidiu o futuro do Brasil, na sua forma atual, mas a festa de Dois de Julho é hoje praticamente desconhecida pelos brasileiros das outras regiões. Ao contrário do Carnaval, e apesar de também reunir milhares de pessoas, raramente é notícia nos jornais e emissoras de rádio e televisão fora da própria Bahia. Porém, um visitante desavisado que chegar à capital baiana nessa data perceberá logo ao desembarcar uma nota dissonante: o aeroporto de Salvador, que até alguns anos atrás se chamava Dois de Julho, mudou de nome. Agora, chama-se Luís Eduardo Magalhães, em homenagem ao político baiano falecido em 1998. É uma prova de que o coronel da atualidade será sempre mais lembrado do que todas as lutas gloriosas do passado, (Do livro, 1822, de Laurentino Gomes. Ed. Nova Fronteira, 2010).

Personagens famosos desta história:

Francisco Sabino da Rocha Vieira: No dia 19 de fevereiro de 1823 centenas de oficias, soldados favoráveis a Independência se aquartelaram no forte de São Pedro. O general Madeira de Melo, comandante das tropas portuguesas apresentou-se ao local exigindo a rendição dos revoltosos. Coube ao cirurgião do Regimento de Caçadores, Francisco Sabino da Rocha Vieira, dar a resposta: Não nos entregamos. Sabino era um mulato de olhos claros, médico e jornalista. Irritado com a resposta, Madeira e Melo mandou bombardear o quartel rebelde. Sem condições de resistir o bombardeio português, os brasileiros abandonaram o forte e fugiram de Salvador para organizar a resistência do Recôncavo. Em poucos dias, as vilas e fazendas se transformaram em imensos campos de refugiados brasileiros. O restante da Bahia aderiu em peso à Independência do Brasil formando um cinturão de isolamento aos portugueses encastelados em Salvador. Em novembro de 1837, Sabino lideraria no mesmo forte de São Pedro, com apoio dos escravos, uma rebelião conhecida como Sabinada, na qual tentou em vão fundar uma República Baianense.

Joana Angélica de Jesus: Madre superiora do convento da Lapa, morreu atravessada por golpes de baioneta o defender a clausura contra um grupo de soldados e marinheiros portugueses bêbados que tentou invadi-la.

Maria Quitéria de Jesus: Tinha trinta anos quando a Bahia começou a pegar em armas contra os portugueses. Apesar da proibição de mulheres nos batalhões voluntários, decidiu alistar-se às escondidas. Cortou os cabelos, amarrou os seios, vestiou-se de homem e incorporou-se às fileiras brasileiras com o nome de Soldado Medeiros. Duas semanas depois foi descoberta pelo pai que tenou levá-la de volta para casa. Os colegas do quartel, já impressionadas com a habilidade com que Maria Quitéria manejava armas, imploraram para que ela ficasse. O oficial comandante concordou, mas impôs uma condição: em vez da farda masculina, ela usaria um saiote à moda escocesa. Depois da guerra foi recebida no Rio de Janeiro pelo imperador D. Pedro I e condecorada com Ordem do Cruzeiro.

Festa da Independência da Bahia: A Festa da Independência da Bahia ou Desfile do Dois de Julho como é chamado pelos soteropolitanos, é uma festa comemorativa de caráter cívico em consolidação à independência do Brasil em terras baianas. O cortejo acontece todos os anos no dia 2 de julho na cidade de Salvador, Bahia, tendo seu início no Largo da Lapinha no Pavilhão Dois de Julho ao lado da Paróquia da Lapinha, onde se encontra a imagem do caboclo, símbolo da independência da Bahia. Com um grande desfile popular juntamente com as imagens do caboclo e da cabocla, reverenciando a força nativa sobre as tropas lusitanas derrotadas em 1823, percorre por várias ruas históricas até o seu apogeu no largo do Campo Grande ou praça Dois de Julho. O retorno das imagens ocorre dia 5 do mesmo mês com outra grande fanfarra, geralmente à noite e regido por grandes orquestras, estudantes, músicos, instituições, charanga e batucadas.

Bandeira do Estado da Bahia:

A Bandeira da Bahia representa o símbolo oficial do estado da Bahia. A bandeira foi criada pelo médico baiano Dr. Diocleciano Ramos que, em 25 de maio de 1889, em uma reunião do Partido Republicano, sugeriu este brasão para representar a agremiação política. Quando a bandeira do estado da Bahia foi idealizada o país havia acabado de se tornar uma república e fortes agitações estavam ocorrendo por conta da mudança do regime político. Embora as cores azul, vermelha e branca já tenham figurado como símbolo da Revolta dos Alfaiates, muitos dizem que a bandeira baiana teve inspiração na bandeira dos Estados Unidos e acrescida do triângulo, símbolo maçônico e que também se encontra na bandeira mineira. Em 11 de junho de 1960, através do decreto de lei nº 17628, o governador Juracy Magalhães tornou obrigatório o uso da bandeira da Bahia para representar o estado.

Aeroporto 2 de Julho

O aeroporto foi fundado em 1925 e reconstruído completamente em 1941 pela Panair do Brasil Seu nome era Santo Amaro do Ipitanga. Em 1955, o aeroporto mudou seu nome para 2 de Julho, a data da independência baiana e, em 1998, para o atual nome, Deputado Luís Eduardo Magalhães. No entanto, a maioria dos habitantes de Salvador continua a chamá-lo de 2 de Julho. A mudança polêmica do nome do aeroporto para Deputado Luís Eduardo Magalhães causou revolta em parte do povo baiano, especialmente naqueles contrários ao carlismo, pois esta era uma homenagem post-mortem ao filho deste. Dentre as manifestações contrárias à mudança de nome, há a presença da ala Aeroporto é 2 de Julho nas principais comemorações cívicas da cidade, como o desfile do 2 de Julho, o Grito dos Excluídos no 7 de setembro e a Mudança do Garcia no carnaval

Enviada por José Rezende Mendonça.